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Seguindo influência europeia, primeiros prédios escolares do Rio Grande do Sul valorizam edificações monumentais

Segunda reportagem da série de seis matérias sobre os modelos de edificações aplicados à educação destaca primeiras edificações

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Escola Senador Ernesto Dornelles (Laiz Flores)
Escola Senador Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, projetado em 1913 para revitalizar a área central de Porto Alegre - Foto: Laiz Flores/Ascom SOP

Se os modelos arquitetônicos atuais levam em conta os efeitos da arquitetura na educação, a situação era diferente quando as escolas começaram a surgir pelo país. Na maior parte do século 19, não havia instituições de ensino como hoje, e as poucas pessoas que aprendiam a ler o faziam em casa ou em lugares adaptados, com a infraestrutura possível. Ensino público era raro.

Construções específicas para o ensino começaram a surgir durante a Primeira República (1889-1930). O nascente governo que havia deposto a Monarquia precisava solidificar suas bases junto à população e viu na educação formal um meio de se popularizar e de promover avanços sociais e econômicos.

Para mostrar o poder do Estado, foram construídos prédios monumentais, inicialmente em estilo neoclássico ou eclético, tendo bastante influência da arquitetura europeia. Fazia-se uso de materiais delicados como gesso e estuque, que exigiam bastante manutenção e o emprego de técnicas vindas de fora do país. As escolas daqueles anos eram simétricas e tinham alas separadas por sexos, grandes escadarias e fachadas ornamentadas.

Escolas históricas IE Flores da Cunha
Fachada do IE Flores da Cunha, em Porto Alegre - Foto: Joel Vargas/Ascom GVG

Um prédio voltado para o Guaíba

Em Porto Alegre, por exemplo, o engenheiro da SOP Affonso Hébert projetou, em 1913, o então Colégio Elementar Fernando Gomes, na atual rua Duque de Caxias. Concluído em 1922, o prédio não se resumia à educação: representava um projeto de saneamento, higienização, embelezamento e melhoramento moral da capital gaúcha, recuperando uma das zonas mais antigas e problemáticas da cidade. Com o suntuoso prédio, pensava-se que quem olhasse Porto Alegre a partir do Guaíba ficaria encantado com o lugar.

A partir de 1946, o prédio de estilo eclético passou a abrigar a Escola Técnica Senador Ernesto Dornelles, primeiro exclusivamente feminina e, depois, para ambos os sexos.

Foto mostra operário trabalhando no restauro da parede externa do Colégio Paula Soares, em Porto Alegre
Reforma devolveu beleza à fachada do Colégio Paula Soares, em Porto Alegre - Foto: Raquel Medeiros Araujo/Ascom SOP

Um projeto parecido foi criado por Theophilo Borges de Barros, em 1918, para a Escola Complementar da Rua General Auto, atual Colégio Estadual Paula Soares, que fica ao lado do Palácio Piratini, na capital. Entregue em 1922, o edifício tem um imponente pórtico de entrada com duas colunas em estilo neoclássico e era conectado à sede do governo do Estado por uma escadaria.

Os dois prédios escolares têm planta em forma de U, pátio voltado para a frente do edifício e fachada simétrica com uma área central e alas laterais. Construídos para mostrar a força do governo, os prédios, agora centenários, ainda se destacam na região central de Porto Alegre pela sua arquitetura.

Texto: Ariel Engster/Ascom SOP
Edição: Secom

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