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Prédios escolares dos anos Vargas buscavam fortalecer o patriotismo em meio à modernização da forma e dos materiais

Terceira reportagem da série destaca o novo conceito surgido com a gestão getulista na condução do Brasil

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Foto do Instituto de Educação Assis Brasil, em Pelotas, que exemplifica uma mudança conceitual nas construções durante a Era Vargas
Instituto de Educação Assis Brasil, em Pelotas, exemplifica uma mudança conceitual nas construções durante a Era Vargas - Foto: Laiz Flores/SOP

A construção de instituições de ensino foi impulsionada nas décadas de 1920 e 1930, acompanhada de uma nova ideia para a educação. Durante o governo de Getúlio Vargas, buscou-se ampliar o acesso às escolas no Brasil. Elas serviam como espaços ideais para criar uma unidade nacional, levar conceitos cívicos e morais às populações e incutir mensagens de propaganda política. Fazia sentido, assim, que a educação fosse levada ao máximo de pessoas possível.

Começavam a ser desenvolvidos projetos padrões. Nesse processo de ampliação da rede de ensino, era mais fácil, rápido e barato ter modelos semelhantes replicáveis. Eles não só facilitavam a implantação como serviam de marco da presença do governo em cada local. No Rio Grande do Sul, por exemplo, foi realizado um concurso para projetos de prédios escolares em 1928.

As escolas ganharam outra cara. Foram acrescentados auditórios, bibliotecas e espaços para atendimento médico e odontológico, além de pátios e ginásios para atividades físicas. Os formatos dos prédios deveriam se assemelhar às letras L, U e E, para qualificar a iluminação e ventilação dos ambientes.

Concreto e linhas geométricas no desenho

Eram tempos da adoção do estilo Art Déco, com pouca ornamentação, mas muitas linhas geométricas, frisos verticais e horizontais ao longo do prédio e com pórticos e escadarias. O uso de concreto armado permitiu vãos grandes, com maior circulação de ar, e agilizaram as construções. Escolas seguindo esse modelo foram construídas entre as décadas de 1930 e 1950.

No Rio Grande do Sul, um bom exemplo é o Instituto de Educação (IE) Assis Brasil, em Pelotas. O projeto foi elaborado dentro da SOP pelo engenheiro João Baptista Pianca para atender de 200 a 750 estudantes. Contava, além das salas, com auditório no térreo, áreas para a formação de professores e museu no terceiro andar. Os principais espaços ficavam na parte da frente do prédio.

Por trás daquela arquitetura, havia um ideal de propaganda política, representando o progresso, por meio do porte dos prédios, e o patriotismo, nos espaços para atividades cívicas e nas bandeiras do Estado e do país que geralmente apareciam nas fachadas.

Texto: Ariel Engster/Ascom SOP
Edição: Secom

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