Leite assina contrato para implantação de planta de hidrogênio verde em Candiota e marca avanço na estratégia de descarbonização
Projeto da Âmbar Sul prevê produção de Hidrogênio Verde a partir de energia solar fotovoltaica
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O governador Eduardo Leite assinou, nesta quarta-feira (11/2), o contrato entre o governo do Estado, por meio do Badesul, e a empresa Âmbar Sul Energia S.A., para a implantação de uma planta industrial para produção de hidrogênio verde a partir de energia solar fotovoltaica, no município de Candiota, na região da Campanha. O projeto foi selecionado no Edital de Desenvolvimento da Cadeia do Hidrogênio Verde (H₂V-RS), coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), em parceria com a Casa Civil.
A assinatura ocorreu no Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff), em Porto Alegre, e integra a estratégia de descarbonização e transição energética do governo do Estado, que busca estimular a inovação, reduzir emissões de gases de efeito estufa e fortalecer uma economia de baixo carbono no Rio Grande do Sul.
“Damos muito valor ao potencial de Candiota e de toda a região nesse processo de transição justa, que não é ruptura, mas uma migração responsável para um modelo com menos impacto ambiental. Essa transição é uma necessidade ambiental, diante da urgência climática que o mundo vive, mas também é uma grande oportunidade econômica para o nosso Estado. Estamos estruturando uma cadeia robusta, com projetos tecnicamente consistentes e com uso interno do hidrogênio verde, o que fortalece a nossa economia e gera desenvolvimento regional”, afirmou o governador.
Desenvolvimento econômico e proteção ambiental
A secretária da Sema, Marjorie Kauffmann, afirmou que a assinatura do contrato reforça o compromisso do Rio Grande do Sul com a transição energética e com uma agenda ambiental baseada em inovação. “O hidrogênio verde é estratégico para a descarbonização das cadeias produtivas do Estado e para o fortalecimento de uma economia de baixo carbono. Estamos avançando de forma concreta, com projetos que já apresentam resultados mensuráveis na redução de emissões e que têm potencial de replicação em outros setores. Essa é uma política pública que une desenvolvimento econômico e proteção ambiental”, destacou.
“Acreditamos que a transição energética justa engloba diferentes iniciativas e fontes de energia que, em conjunto, permitem a criação de uma matriz energética renovada. O hidrogênio verde é uma delas. Com ele, buscamos integrar diferentes soluções para impulsionar o desenvolvimento sustentável, fortalecer a economia e posicionar o Rio Grande do Sul como referência nacional na transição energética”, declarou o secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, que ainda em 2019 apresentou as primeiras prospecções ao governador sobre o potencial gaúcho para o desenvolvimento de uma cadeia energética do hidrogênio verde.
Redução das emissões
O projeto da Âmbar Sul receberá uma subvenção de R$ 9,8 milhões do governo estadual, com contrapartida de R$ 4,2 milhões da empresa, conforme critérios do programa. O Badesul atua como operador do edital e será responsável pelo acompanhamento da execução dos recursos e do cumprimento das metas estabelecidas.
“Esse é um processo que começou lá atrás, enfrentando dúvidas e ceticismo, mas que avançou com persistência e muito rigor técnico. A relação do Badesul com as empresas foi extremamente respeitosa e criteriosa, o que nos deu segurança nas análises. Agora iniciamos a etapa de perfectibilização das garantias para liberar os recursos e dar andamento aos projetos. Formamos uma capacidade técnica interna que nos permite dar velocidade e resolutividade a novos editais nessa linha, consolidando o hidrogênio verde como uma política de Estado”, afirmou o diretor-presidente do Badesul Desenvolvimento S.A., Claudio Gastal.
Projeto H₂V Candiota
Denominado H₂V Candiota, o projeto tem como objetivo substituir o hidrogênio cinza por hidrogênio verde no processo de arrefecimento industrial da Usina Termelétrica Candiota III, com a implantação de uma planta industrial para a produção de hidrogênio verde a partir de energia solar fotovoltaica, com sistema de armazenamento em hidretos metálicos.
“O tempo em que o Estado andava a passos de tartaruga ou para trás como caranguejo passou, graças ao governo Eduardo Leite, que retomou a possibilidade de desenvolvimento do Estado. E nós em Candiota, com esse projeto da Âmbar, estamos fazendo a nossa parte para uma transição energética justa”, afirmou o prefeito municipal de Candiota, Luiz Carlos Folador.
“Estamos muito alinhados às diretrizes do governo e bastante ansiosos para iniciar as próximas etapas. O prazo estimado de implantação é de cerca de 21 meses, considerando aquisição de equipamentos e todo o desenvolvimento do projeto. Além da aplicação no arrefecimento industrial, vamos desenvolver linhas de pesquisa para avaliar novos usos para o hidrogênio verde, ampliando as possibilidades e fortalecendo ainda mais a cadeia no Estado”, afirmou o gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Âmbar Sul Energia, Danilo Dantas.
O hidrogênio produzido será utilizado em processos industriais e como vetor energético limpo, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa, além de estimular a inovação e o desenvolvimento sustentável na região. A produção será realizada por meio de eletrólise, alimentada por uma planta fotovoltaica já existente na usina e por um sistema de armazenamento de energia.
A estimativa é de uma redução anual de aproximadamente 49.136 kg de CO₂, além de funcionar como um projeto piloto com potencial de escalabilidade para outras indústrias e processos. A planta será implementada em módulos contentorizados, o que facilita a instalação e possibilita replicação em diferentes contextos industriais.
Cadeia de hidrogênio verde no RS
Com a assinatura do contrato com a Âmbar Sul Energia, o governo do Estado conclui a fase de contratação do Edital de Desenvolvimento da Cadeia do Hidrogênio Verde (H₂V-RS). Ao todo, quatro empresas foram contempladas: B&8, Tramontina, Rodoplast e Âmbar Sul Energia. Os quatro projetos selecionados devem resultar na redução nas emissões de cerca de 4.740 toneladas de CO₂ equivalente por ano.
Com investimento total de R$ 100 milhões, o edital representa o primeiro instrumento público de fomento direto à inovação em descarbonização industrial no Brasil em escala estadual. Sua execução demonstra a convergência entre políticas ambientais, tecnológicas e econômicas, reforçando o compromisso do Rio Grande do Sul com a neutralidade climática, a sustentabilidade e a competitividade verde.
Também participaram da solenidade o secretário de Desenvolvimento Econômico, Leandro Edvaldt, e representantes de todas as empresas vendedoras do edital para desenvolvimento de projetos de hidrogênio verde, além de equipes técnicas dos órgãos de governo envolvidos.
Texto: Tamires Tuliszewski/Ascom Sema
Edição: Secom