Quilombola mais antiga recebe equipe do Museu de Medicina
Publicação:
Dona Miguelina Maria de Lemos e Silva, a quilombola mais idosa do Estado, que vive em uma comunidade no interior de Mostardas, recebeu a visita da coordenadora do Comitê Permanente de Coordenação das Ações Relativas às Comunidades Quilombolas do Rio Grande do Sul da Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social (SJDS), Maria Marques, e da equipe do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM). A SDJS é responsável, em nível estadual, pelas políticas públicas que envolvem os direitos deste segmento da população. Maria Marques intermediou o encontro entre a equipe do museu e Dona Miguelina, para viabilizar a continuidade da série de entrevistas que a equipe vem realizando com mulheres muito especiais. São médicas, benzedeiras e parteiras, que vão figurar na próxima exposição, com o tema Mulheres e Práticas de Saúde. As visitas vêm resgatando a história não apenas das primeiras médicas formadas no Brasil (três são gaúchas), mas também de outras mulheres que tiveram suas atividades voltadas para a área da saúde, como parteiras e benzedeiras. Dona Miguelina, de 105 anos, contou sua história de vida e posou para fotos, que ilustrarão a mostra. Falou de sua coragem e determinação quando, muito jovem, acompanhava a mãe parteira, terminando por aprender e exercer o ofício durante muitos anos. Além disso, começou a benzer, tornando-se uma das benzedeiras mais procuradas da região. Memória O Museu da História da Medicina do Estado foi instalado em 18 de outubro de 2007, no prédio histórico do Hospital Beneficência Portuguesa (avenida Independência, 270 – Porto Alegre). A primeira exposição – ainda aberta ao público - tem o título de Olhares Sobre a História da Medicina. Em março, em comemoração ao mês da mulher, será inaugurada uma mostra fotográfica de rostos de médicas, parteiras e benzedeiras de diversas localidades do Estado. “Cada vez mais me convenço da importância da participação de dona Miguelina nesta mostra, uma vez que ela tem uma bela trajetória de vida”, diz o historiador do MUHM, Éverton Quevedo. Estou confiante que ela será a grande estrela da exposição que homenageia a mulher, pois sua vida é a prova de que, apesar de sua aparente fragilidade, estamos diante de uma grande mulher.