Preço médio da cesta de alimentos tem queda em março no Rio Grande do Sul
Custo da alimentação no domicílio pesou menos para famílias de baixa renda, com deflação de 3,85%
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O Preço da Cesta de Alimentos (PCA-RE) no Rio Grande do Sul, calculado pelo governo do Estado com base nos dados das notas fiscais eletrônicas, registrou em março uma leve queda de 0,17% em relação ao mês anterior. O custo da cesta, composta pelos 80 itens mais consumidos pelos gaúchos, caiu para R$ 287,85 – patamar mais baixo desde novembro do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice teve queda de 2,84%.
O maior recuo de março foi observado na região do Litoral, após o fim da alta temporada, onde o preço médio da cesta caiu para R$ 297,79 - uma queda de 2,28% em relação a fevereiro. Mesmo com o recuo, a região ostenta a quinta cesta mais cara, acima da média do Estado. O segundo maior declínio ocorreu nos Campos de Cima da Serra, com retração de 1,47%, fechando março em R$ 296,38. A maior alta foi registrada na região do Vale do Paranhana, com elevação de 1,83% e chegando R$ 281,96.
A cesta mais barata foi encontrada no Jacuí Centro, onde custou R$ 270,32 no último mês. No lado oposto, a região das Hortênsias segue com os preços mais elevados do Estado. A localidade, com forte vocação turística, registrou uma cesta de alimentos de R$ 307,40 em março, alta de 0,40% em relação a fevereiro. A diferença regional entre o maior e menor preço regional é de 12,6%, uma das menores da série histórica. Os dados estão publicados no Boletim de Preços Dinâmicos e disponíveis no Painel de Preços Dinâmicos.
Elaborado pela Secretaria da Fazenda (Sefaz), por meio da Receita Estadual, o material acompanha a variação de preço no varejo dos 80 itens de consumo mais presentes na mesa dos gaúchos, com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Famílias de baixa renda aumentam poder de compra
Entre os consumidores, a queda do preço médio da cesta de alimentos beneficiou famílias de todas as faixas de renda, sobretudo as mais pobres. Conforme o Índice de Inflação por Faixa de Renda, indicador exclusivo levantado pela Sefaz, domicílios com rendimento de até dois salários mínimos observaram uma deflação de 3,85% nos últimos 12 meses. A segunda faixa de renda com maior redução foi a entre dois e três salários mínimos, cuja queda atingiu 3,42% no período.
A diferença inflacionária entre os estratos de renda ocorre pela distinção do hábito de consumo. Alimentos consumidos com mais frequência por famílias de baixa renda tiveram quedas de preço mais expressivas e passaram a pressionar menos seus orçamentos. Em março, houve queda em todas as faixas de renda analisadas, que vão de dois a 25 salários mínimos.
O índice também acompanha a variação regional da inflação por faixa de renda. A queda mais acentuada ocorreu para famílias com rendimento até dois salários mínimos moradoras da região Norte, onde o custo da cesta para o grupo caiu 8,22%. O levantamento mostra que famílias com renda entre dez e 15 salários que residem na Serra tiveram a menor queda inflacionária no mês, de apenas 0,35%. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde se concentra a maior parte da população do Estado, a faixa de renda mais beneficiada pela variação de preços foi a com renda até dois salários, que percebeu um declínio de 4,86% na cesta de alimentos.
Frutas pesam menos no orçamento
Entre os 12 grupos analisados, o de frutas pesou menos no bolso das famílias, registrando a queda mais expressiva no preço médio em março, com recuo de 10,54% frente ao mês anterior. A retração foi puxada pela bergamota, que começa a ter aumento de oferta e caiu 61,3% no mês, sendo vendida a uma média de R$ 4,99 o quilo nos supermercados. A maçã também segue em queda, passando a custar em média R$ 9,99 o quilo - declínio de 17% no mês.
O grupo de açúcares, doces e produtos de padaria também teve forte recuo em março, com queda de 3,79% no preço médio. A redução foi impulsionada pelo chocolate em tablete, que passou a custar em média R$ 87,38 o aquilo, valor 7,50% menor do que em fevereiro.
A maior alta foi registrada no grupo das cereais e leguminosas, que subiram 3,45%. O “vilão” do mês foi a cebola, que teve aumento 48,3%, passando a ser encontrada a um preço médio de R$ 3,85 o quilo. Vagem e cenoura aparecem na sequência, com crescimento de 26% e 22,4%, respectivamente.
Texto: Rodrigo Azevedo/Ascom Sefaz
Edição: Secom