Mão de obra prisional prepara terreno para instalação do campus do Instituto Federal do Rio Grande do Sul em Gramado
Apenados selecionados para a atividade integram grupo voltado ao apoio de intervenções e demandas de interesse público
Publicação:
O governo do Estado, por meio da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) e da Polícia Penal, concluiu, na sexta-feira (23/1), uma operação conjunta para limpeza e preparação da área onde será erguido o campus Gramado do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). A iniciativa, realizada no Bairro Várzea Grande, atendeu a uma solicitação da prefeitura do município, por meio das secretarias de Inovação, Obras, Planejamento, Meio Ambiente e Governança, e utilizou a mão de obra de custodiados do Presídio Estadual de Canela (Pecanela).
Ao longo de nove dias de atividades, oito apenados do regime fechado — com escolta e autorização da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Caxias do Sul para trabalho externo — realizaram o manejo da vegetação e a organização do lote de 16 hectares. A ação constitui etapa fundamental para o cronograma de obras da futura instituição de ensino.
Ressocialização e benefício público
Os apenados selecionados para a atividade integram um grupo das forças de segurança voltado ao apoio a intervenções e demandas de interesse público, com histórico de prestação de serviços comunitários e de auxílio a organizações não governamentais. Segundo o setor técnico do Pecanela, a cooperação com as administrações de Gramado e Canela é contínua, abrangendo desde a manutenção de estradas e reformas em postos de saúde até a revitalização de espaços do Poder Legislativo e capelas mortuárias.
O diretor da unidade prisional, Rômulo Tomazini, contou que essa mesma frente de trabalho já atuou, inclusive, no desmanche manual de residências para viabilizar a construção de novas moradias populares em bairros em situação de vulnerabilidade social. “Ao aplicarmos a mão de obra prisional em projetos que beneficiam diretamente a infraestrutura urbana, não apenas otimizamos os recursos do Estado e dos municípios, mas também devolvemos dignidade ao apenado por meio do trabalho. É uma via de mão dupla, na qual a sociedade recebe o serviço e o custodiado recebe uma oportunidade real de reintegração social", destacou.
Além do apoio externo, os custodiados mantêm atividades constantes no estabelecimento penal, como o cultivo de horta e frentes de construção civil. Destaca-se, ainda, o projeto de reciclagem operado na unidade, que gera um aporte financeiro mensal superior a R$ 2 mil destinado à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Canela, consolidando o ciclo de responsabilidade social e remição de pena pelo trabalho.
Texto: Andréia Moreno/Ascom Polícia Penal
Edição: Secom