Protagonismo gaúcho em semicondutores é destaque no segundo dia do SemiCon‑LAC 2026, em Porto Alegre
Evento coorganizado pelo governo do Estado discute inovação, desenvolvimento tecnológico e cooperação internacional
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O ecossistema de semicondutores no Rio Grande do Sul e o seu potencial de desenvolvimento tecnológico e atração de investimentos foram os temas centrais de um dos painéis realizados no segundo dia do Simpósio de Semicondutores da América Latina e do Caribe (SemiCon-LAC 2026), na quinta-feira (18/6), no Tecnopuc, em Porto Alegre.
O evento internacional é coorganizado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict) com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e da Invest RS. O encontro, que segue até sexta-feira (19/6), promove discussões sobre inovação, desenvolvimento tecnológico, cooperação internacional, oportunidades de negócios e o fortalecimento da participação da região na cadeia global de semicondutores.
Ao abrir o painel “Rio Grande do Sul - O coração do ecossistema de SemiCon da América Latina”, o diretor de Conhecimento para Inovação, Ciência e Tecnologia da Sict, Guilherme Camboim, apresentou um detalhamento do Programa Semicondutores RS, política pública do governo do Estado voltada para o fortalecimento da cadeia produtiva local, fomento à inovação e formação de talentos. Até o final de 2026, o investimento deverá chegar a R$ 70 milhões distribuídos em diferentes iniciativas ligadas ao programa.
“O Estado é um polo em formação, pesquisa e desenvolvimento de talentos, com uma trajetória histórica em microeletrônica, sustentada por universidades de excelência, parques tecnológicos e institutos robustos”, iniciou Camboim. Nesse contexto, o diretor explicou que o Programa Semicondutores RS projeta o Estado como um hub consolidado na América Latina até 2030, “promovendo a qualificação e retenção de recursos humanos, pesquisa aplicada e criação de redes colaborativas entre academia e indústria. Atuamos para o fortalecimento dos empreendimentos estabelecidos, desenvolvimento de novas empresas, além de promover esforços para atração de investimentos”, resumiu, ao citar o trabalho conjunto com outras secretarias.
Camboim destacou que, por meio de iniciativas que mobilizam os agentes da quádrupla hélice - formada por governo, universidades, sociedade civil organizada e setor empresarial -, o governo impulsiona a competitividade gaúcha, criando um ambiente favorável ao ecossistema.
Nessa linha, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Leandro Evaldt, reiterou que o Estado tem políticas estruturantes para estimular esse setor, “que é estratégico dentro do Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável do Rio Grande do Sul”, ressaltou.
Talentos, pesquisa e inovação impulsionam o setor
O painel também aprofundou o debate em três eixos considerados estratégicos para o fortalecimento do ecossistema gaúcho de semicondutores, em consonância com o Programa Semicondutores RS. As discussões ressaltaram a integração entre formação de talentos, pesquisa aplicada e estímulo ao empreendedorismo como bases para o avanço nessa área.
No eixo de desenvolvimento de talentos, o debate reforçou como prioridade a formação de profissionais qualificados. A professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Fernanda Kastensmidt, e o professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e representante do iTT Chip, Sandro Binsfeld, apresentaram iniciativas de capacitação e integração entre academia, indústria e o ecossistema como um todo.
“Cursos de especialização são importantes para atração de estudantes da área técnica e manutenção desses profissionais formados no setor, que é muito estratégico”, defendeu Binsfeld, ao citar o novo curso em Projetos de Circuitos Integrados Digitais lançado pela Sict, por meio do Programa Semicondutores RS, em parceria com a Unisinos.
Conexão entre produção científica e mercado
Na área de pesquisa aplicada e transferência tecnológica, o debate destacou a conexão entre produção científica e mercado como fator decisivo para inovação e atração de investimentos. O professor da Ufrgs e cientista-chefe do Centro de Competência em Agricultura Digital (Cedra), Carlos Eduardo Pereira, e o cientista-chefe do Instituto Silicium, Ismael Fraga, abordaram experiências em projetos colaborativos e infraestrutura de pesquisa voltadas ao desenvolvimento tecnológico. “No Brasil, temos mercados nichados, como o setor agrícola, que é gigantesco. Há possibilidades em diferentes áreas, linhas de fomento e empresas dispostas a apostar. Também é relevante analisar por que produtos semelhantes são desenvolvidos em Estados diferentes. Pensar e trabalhar em conjunto é uma política importante”, analisou Fraga.
Já o eixo de empreendedorismo e inovação abordou o papel das startups e da articulação internacional na expansão do ecossistema. O debate reuniu o diretor-presidente da Rede Gaúcha de Ambientes de Inovação (Reginp), Lissandro Dalla Nora, o representante da incubadora e aceleradora Silicon Catalyst, Moshe Zalcberg, e o da startup Senseworks, Rodrigo Mazzilli, que discutiram caminhos para transformar conhecimento em negócios e inserir o Estado em redes globais de inovação. “O Rio Grande do Sul tem base de conhecimento para desenvolver soluções na área de semicondutores. O desafio para as startups é a falta de capital privado no Brasil”, alertou Mazzilli, ao comparar com a realidade de outros países.
Outro tema debatido foi a Política Nacional de Semicondutores e o papel do Rio Grande do Sul, com a participação do presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luiz Antonio Elias. O dirigente destacou a sinergia entre as diretrizes nacionais e as potencialidades do ecossistema gaúcho, reforçando oportunidades de cooperação e investimentos. Por fim, o tema da atração de investimentos, logística e infraestrutura também foi abordado, pautando os elementos estruturais necessários para sustentar o crescimento do setor no Estado. Participaram da discussão representantes da Invest RS, Sedec, Tellescom, Ensilica, Finep, do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e do Grupo Coester/Citec.
Visitas técnicas
No último dia do evento, a programação será dedicada a visitas técnicas, proporcionando aos participantes uma imersão prática no ecossistema gaúcho de semicondutores. A agenda desta sexta-feira (19/6) inclui passagem pelo Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), na capital, seguida de deslocamento ao Tecnosinos, em São Leopoldo, onde ocorrem visitas ao parque tecnológico e a empresas associadas, como HT Micron e iTT Chip.
Semicondutores RS
O SemiCon-LAC é uma iniciativa alinhada ao Programa Semicondutores RS, do governo do Estado. Coordenado pela Sict, o programa foi lançado em 2023 para fortalecer a competitividade do setor no Estado por meio de uma série de medidas voltadas à inovação e tecnologia, incluindo incentivos fiscais, atração de empresas, investimentos estratégicos e formação profissional.
Texto: Ascom Sict
Edição: Secom