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Prevenção, preparação e resposta integrada marcam painel internacional sobre desastres durante Congresso Internacional

Especialistas da Itália e dos Países Baixos compartilham experiências em gestão de riscos, planejamento e proteção

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Quatro pessoas estão em um palco, sentadas em cadeiras, uma delas fala ao microfone. Atrás, um grande painel indicando Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil
Painelistas da Itália e Países Baixos destacaram a importância de manter a mobilização pela prevenção - Foto: João Pedro Rodrigues/Secom

Experiências internacionais de prevenção, preparação e resposta a desastres foram apresentadas na manhã desta quarta-feira, durante o segundo dia do Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil promovido pelo governo do Estado, por meio da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, em parceria com a entidade Local Governments for Sustainability (ICLEI). Integrada ao Programa Estadual de Preparação para Eventos Extremos (Prepara RS – El Niño), a atividade reuniu especialistas da Itália e dos Países Baixos para compartilhar estratégias adotadas em seus países na redução de riscos e na construção de territórios mais resilientes. 

Entre os temas abordados, estiveram monitoramento hidrometeorológico, planejamento urbano, comunicação de riscos, resposta a emergências e investimentos de longo prazo em prevenção.

Diretor do Serviço de Prevenção de Riscos e da Central Única de Emergência da Província Autônoma de Trento, na Itália, Bruno Bevilacqua destacou a importância do monitoramento permanente e do planejamento territorial baseado em evidências. Segundo ele, a região está reconstruindo sua rede de monitoramento com cerca de 300 estações modernizadas para garantir maior resiliência dos sistemas. Bevilacqua explicou que os dados coletados são transformados em mapas de risco atualizados anualmente, utilizados como instrumentos de planejamento urbano e de definição de obras estruturantes. 

“Não podemos capturar ou prender a natureza, que é forte e impactante. O que podemos fazer é mitigar e gerenciar os riscos. Para isso, precisamos de planejamento, mapeamento e atualização contínua, porque o território muda e os riscos também”, afirmou Bevilacqua. 

O especialista também ressaltou o papel da informação à população e da coordenação das respostas durante emergências, citando estruturas como a sala provincial de operações, a coluna móvel de pronta resposta e a unidade logística nacional para acolhimento de comunidades afetadas.

Prevenção a longo prazo

Também da Província de Trento, Ruggero Valentinotti apresentou a trajetória histórica da gestão de recursos hídricos na região, marcada pela convivência com eventos extremos desde o século XIX. Ele lembrou que uma grande enchente ocorrida em 1882 motivou a criação da estrutura que permanece ativa até hoje e destacou os investimentos contínuos realizados para reduzir impactos futuros. 

“Muito muda quando esses eventos acontecem, mas depois de dois ou três anos as pessoas tendem a esquecer seus efeitos. Nossa tarefa também é manter viva essa memória para que a prevenção continue sendo prioridade”, observou Valentinotti.

Representando a Agência Governamental dos Países Baixos, Peter Glerum traçou paralelos entre as enchentes históricas enfrentadas pelo país europeu e os eventos registrados no Rio Grande do Sul em 2024. Integrante de uma missão técnica que visitou o Estado após as inundações, ele avaliou que o desastre trouxe importantes aprendizados e impulsionou mudanças estruturais. “Infelizmente, muitas vezes precisamos de um desastre para promover transformações. O desafio é manter o compromisso político e social com a prevenção ao longo do tempo”, afirmou. 

Glerum lembrou que a enchente de 1953, que deixou cerca de 2 mil vítimas fatais nos Países Baixos, levou à criação do Plano Delta, programa que até hoje recebe investimentos anuais bilionários para prevenção de cheias. Segundo ele, a experiência holandesa demonstra que a gestão de riscos exige uma combinação permanente de proteção, planejamento territorial, adaptação e preparação para emergências.

Ao abordar os desafios atuais da gestão de desastres, Glerum destacou a importância da comunicação de riscos e da capacidade de transformar alertas em ações efetivas da população. Para ele, além de investir em tecnologia e sistemas de monitoramento, é necessário garantir que as pessoas compreendam as informações recebidas e saibam como agir diante dos avisos emitidos pelas autoridades. “Todos os eventos climáticos extremos podem ser previstos com antecedência suficiente para que medidas sejam adotadas. O grande desafio é assegurar que os alertas cheguem às pessoas e que elas tomem as decisões necessárias para reduzir seu sofrimento e permanecer em segurança”, concluiu Glerum.

Texto: Thales Moreira/Secom
Edição: Secom

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