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Governo do Estado promove bate-papo sobre enfrentamento à violência com Luiza Brunet, no Parcão, em Porto Alegre

Além do debate, que abordou a criminalização feminina, evento ofereceu orientações sobre saúde ao público

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Foto mostra grupo de mulheres em evento
Mobilização e compartilhamento de histórias de vida no encontro na capital - Foto: Divulgação/Ascom SDM

Novembro é o mês que marca o início dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Meninas e Mulheres. Por conta disso, a Secretaria da Mulher (SDM) realizou o bate-papo “Pelas Mulheres”, no Parque Moinhos de Vento (Parcão), em Porto Alegre. O evento, ocorrido na manhã de sábado (29/11), reafirma o compromisso do governo Leite com a proteção da igualdade de gênero, compreendendo que essa é uma luta de toda a sociedade.

A ação teve o apoio da Organização Internacional das Migrações (OIM), do Instituto Moinhos Social (IMS) e do Hospital Moinhos de Vento. O evento contou com presença da modelo e atriz Luiza Brunet, que é embaixadora da OIM e referência nacional na pauta de violência contra a mulher, além de outras profissionais envolvidas com o tema.

A titular da SDM, Fábia Richter, apontou que um dos principais fatores responsáveis pela violência contra a mulher é o machismo e que essa é uma luta coletiva. “Nós estamos aqui, hoje, para olhar para esse problema e discuti-lo, mas não vai ser a secretaria sozinha que vai resolver. Não será o Estado sozinho que vai. Tampouco, os políticos. Mas as pessoas e a sociedade como um todo”, declarou.

O adoecimento psíquico e a criminalização feminina foram dois aspectos abordados no encontro, pela promotora de Justiça Alessandra da Cunha. Segundo ela, é preciso que seja dada atenção à questão da saúde mental para evitar que a violência contra a mulher aumente cada vez mais. Além disso, a promotora ressaltou que o enfrentamento a esse problema social não se restringe apenas à construção de uma política de segurança que visa prender homens.

“Quando nós enfrentamos essa violência, nós estamos evitando que as mulheres entrem para o crime”, sustentou. De acordo com Alessandra, muitas vítimas de violência acabam indo para a criminalidade. “Elas saem do seio familiar muito cedo e acabam encontrando no tráfico e nas facções o acolhimento que nós, enquanto sociedade, nem sempre conseguimos dar”, argumentou.

Agressão e abandono

Outra contribuição no bate-papo foi da advogada e presidente voluntária do Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (Imama), Cintia Graziella Seben. Ela relatou que muitas mulheres que enfrentam um câncer de mama são agredidas e abandonadas por seus companheiros.

Como advogada, Cintia citou que algumas vítimas que sofrem violência psicológica ou patrimonial durante anos, não conseguem identificar essa realidade e acabam se sentindo culpadas por uma série de situações que ocorrem nos relacionamentos. “Quando a mulher, finalmente, consegue perceber o que está acontecendo e toma a iniciativa de pedir a separação, o homem não aceita e a agride”, pontuou.

A executiva em Saúde e CEO da empresa Gestão e Negócios 360°, Simone Corrêa Souza, compartilhou sua experiência de já ter presenciado e vivido a violência doméstica. Ela relatou que, só após muitos anos, conseguiu identificar que a mãe foi uma vítima, assim como ela própria, que conseguiu romper o ciclo após dez anos. Com trinta anos de atuação na área da saúde, Simone se dedica a lutar pelo protagonismo das mulheres médicas e chama atenção para a importância delas denunciarem situações de violência.

Vencer a vergonha

Luiza Brunet revelou ter se identificado com a fala de Simone e citou que também veio de um lar violento, onde o pai agredia sua mãe. A atriz relembrou o episódio da violência que sofreu e que só conseguiu denunciar após três anos por conta do sentimento de vergonha. “Eu sofri uma brutalidade e consegui romper com aquela relação. Eu não queria que a minha filha vivesse ou repetisse aquele modelo”, revelou.

A atriz contou que ouvir as mulheres é extraordinário. “As mulheres desejam falar, mas se calam por vergonha. Nós não devemos ter vergonha de ter sofrido violência, seja na infância, na adolescência ou na vida adulta”, comentou Luiza Brunet. Como embaixadora da OIM, ela destacou, ainda, a importância do diálogo com as mulheres migrantes que precisam de um cuidado maior, tendo em vista que elas vêm de uma situação de vulnerabilidade em outros países e Estados brasileiros.

A enfermeira e professora da Faculdade Moinhos de Vento, Nathalia Osório, compartilhou sua experiência na atenção primária à saúde. Na visão dela, a saúde não é só uma questão de doença, pois transpassa pela segurança e pela educação, onde devem começar a prevenção. A enfermeira reforçou a importância de os profissionais de saúde estarem preparados para escutar as mulheres que sofrem violência. “Temos que ter uma escuta qualificada, pois, às vezes, é no detalhe que a gente capta uma situação e o profissional de saúde tem a obrigação de notificar a violência, descreveu.

Cultura de respeito

A superintendente de Estratégia e Mercado do Hospital Moinhos de Vento, Melina Schuch, afirmou que a instituição prossegue firme na convicção de que cuidar da vida também passa por valorizar o protagonismo das mulheres em todas as suas dimensões. “Acreditamos que cada gesto de apoio, cada conversa aberta e cada orientação oferecida contribuem para construir uma cultura de respeito e igualdade”, analisou.

Já a secretária-adjunta da SDM, Viviane Viegas, alertou para a violência digital, que se manifesta na internet, reforçando que os pais devem estar atentos às crianças que praticam jogos eletrônicos e que as mulheres que sofrem violência no ambiente virtual precisam reunir provas, fazer prints de ameaças e ofensas para incluir em suas denúncias.

O bate-papo contou ainda com a participação de outras mulheres que estavam no parque e aceitaram compartilhar suas experiências de vida. Elas relataram a sensação de vergonha após terem sido agredidas e também a violência psicológica, fatores que causaram danos em sua autoestima.

Ao final da roda de conversa, a secretária Fábia Richter explicou que quanto mais se abrem possibilidades de escuta, mais elementos surgem para avaliar esse problema social. Fábia lembrou ainda que, com a aproximação das festas de final de ano, todos devem entender este como um período de alerta. “Não queremos que se repita o que ocorreu na Páscoa, quando mulheres foram mortas no Rio Grande do Sul. Por isso temos que levar essa discussão a todos os espaços e que possamos avisar, denunciar e principalmente ter empatia para tentar intervir”, definiu.

Rede de monitoramento

A gestão do governador Eduardo Leite tem aplicado uma série de medidas para combater a violência contra as mulheres. Uma delas é o projeto Monitoramento do Agressor. Implementado em 2023 e pioneiro no país, no enfrentamento à violência doméstica e prevenção de feminicídios, o projeto permite aperfeiçoar a rede de monitoramento de casos no Rio Grande do Sul.

A secretária adjunta da SDM, Viviane Viegas, lembrou que, há alguns anos, não havia um crime específico para o descumprimento de medida protetiva e que só havia o crime de desobediência, cuja consequência era somente a assinatura de um termo circunstanciado. “Hoje, os homens estão com tornozeleiras e a violência contra as mulheres que participam desse programa reduziu significativamente”, relatou.

Para Viviane, entretanto, há outro desafio: conseguir coibir a insistência e a perseguição. “A criminalização do stalking foi um avanço, mas é sempre importante falar sobre isso. É crime perseguir e tornar inviável a vida de uma mulher, seja pelo meio virtual, seja pelo meio físico”, assegurou, ao destacar a política de Estado que vem sendo reforçada pela Secretaria da Mulher junto ao Programa RS Seguro.

Serviço à população

Durante o evento, o Instituto Moinhos Social promoveu uma série de atividades voltadas à comunidade, incluindo ações de informação em saúde, orientação ao público e aferição de pressão arterial. A iniciativa busca aproximar o cuidado das pessoas, incentivando a prevenção, o autocuidado e o acesso a conhecimentos essenciais para uma vida mais saudável.


Texto: Ascom SDM
Edição: Secom

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