Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Início do conteúdo

Governo do Estado destina recursos para Santa Casa de Porto Alegre qualificar cirurgias cardíacas e de coluna em crianças

A instituição receberá incentivo anual de até R$ 5 milhões e repasse de R$ 14,8 milhões para aquisição de equipamento robótico

Publicação:

Assinatura de portaria para incentivo de tratamento de cardiopatias congênitas em crianças na Santa Casa de Porto Alegre.
Novo equipamento cirúrgico usa robótica para ampliar precisão nos implantes em procedimentos pediátricos de coluna - Foto: Arthur Vargas/Ascom SES

O governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde (SES), anunciou na quarta-feira (18/3), na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, novos investimentos para que a instituição qualifique a assistência materno-infantil e amplie o acesso a tecnologias avançadas de cuidado pediátrico especializado. 

Acompanhada pelo secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, a secretária da Saúde, Arita Bergmann, anunciou que o governo do Estado irá destinar R$ 14,8 milhões para a aquisição de um equipamento de robótica utilizado em cirurgias pediátricas de coluna. A secretária ainda assinou a portaria que institui o incentivo estadual ao serviço especializado na Linha de Cuidado da Gestante, do Feto e da Criança com Cardiopatia Congênita, habilitando a Santa Casa para realizar intervenções cirúrgicas em crianças com problemas cardíacos ainda no primeiro ano de vida.

Arita lembrou que a Santa Casa é a maior instituição filantrópica de saúde do Estado. “Hoje fazemos aqui duas importantes entregas para aprimorar o cuidado das pessoas. A robótica para as cirurgias torácicas é uma inovação tecnológica que coloca a Santa Casa em lugar de destaque no país. A instituição será capaz de fazer mais de 500 cirurgias de alta complexidade para cardiopatia congênita por ano”, destacou.

O diretor-geral da Santa Casa, Jader Pires, destacou os investimentos do Estado na instituição. “Momentos como este que vivemos hoje fazem a história da Santa Casa e afetam diretamente a qualidade do serviço prestado ao nosso usuário”, disse.

“No início do governo, a remuneração do Estado para a Santa Casa era de R$ 800 mil por ano. Hoje, por meio dos programas Assistir e SUS Gaúcho, o hospital recebe mais de R$ 40 milhões por ano”, frisou Arita. Por meio de repasses do Programa Avançar Mais na Saúde e verbas oriundas do Tribunal de Justiça, a Santa Casa de Porto Alegre já recebeu do Estado R$ 94 milhões para realização de obras e aquisição de equipamentos.

O diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa, J. J. Camargo, falou um pouco sobre a sua experiência na instituição: “Acompanhei de perto, durante cinco décadas, o avanço tecnológico da Santa Casa em cirurgias torácicas, e o robô é o ápice desse processo. Ele vai possibilitar cirurgias cada vez menos invasivas”, salientou.

Robótica para cirurgias infantis de coluna

O novo equipamento cirúrgico será utilizado em procedimentos pediátricos de coluna, ampliando a precisão no posicionamento de implantes – fator que reduz significativamente o risco de lesões graves, como danos neurológicos e vasculares. Entre os principais benefícios da tecnologia estão:

  • maior precisão na execução dos procedimentos;
  • redução do tempo cirúrgico, diminuindo complicações como sangramentos;
  • melhor visualização da cirurgia por meio de sistemas avançados de imagem;
  • mais segurança e eficácia no tratamento;
  • aumento estimado de 50% na produtividade, permitindo ampliar a capacidade de atendimento e receber novos pacientes.

“O Hospital Santo Antônio atende quase todas as crianças que nascem com cardiopatia congênita no Estado, e agora vamos começar a rastrear as gestantes e trazê-las para a capital, para que as crianças já nasçam aqui e sejam operadas em seguida. Por causa dos investimentos do governo do Estado, compramos dois angiógrafos e já estamos fazendo cateterismo em bebês. São cerca de 700 procedimentos por ano”, destacou o diretor-médico dos hospitais São Francisco, da Criança Santo Antônio e Nora Teixeira, Fernando Lucchese.

Anúncio de recursos para equipamento de robótica para Santa Casa de Porto Alegre.
Portaria cria incentivo para Linha de Cuidado da Gestante, do Feto e da Criança com Cardiopatia com adicionais à tabela SUS - Foto: Arthur Vargas/Ascom SES

Linha de Cuidado em Cardiopatia Congênita

A portaria que cria o incentivo estadual ao serviço especializado na Linha de Cuidado da Gestante, do Feto e da Criança com Cardiopatia Congênita prevê a destinação anual de até R$ 5 milhões para a Santa Casa, como forma de complementar os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esses procedimentos são considerados de alto custo e exigem recursos adicionais para garantir atendimento adequado.

O incentivo corresponde a três vezes o valor previsto na tabela SUS, considerando tanto procedimentos ambulatoriais de alta complexidade quanto internações. Como exemplo, o procedimento para implante de desfibrilador pediátrico, que hoje recebe R$ 44,5 mil do governo federal, passará a contar com adicional estadual de R$ 133,5 mil. Já o cateterismo cardíaco pediátrico, cujo valor SUS é de R$ 783, terá adicional estadual de R$ 2,3 mil. Os repasses serão feitos mensalmente até o limite financeiro anual definido.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Cláudio Bier, ressaltou o que o hospital representa aos gaúchos: “A Santa Casa contribui com as pessoas mais necessitadas. Por isso, eu me sinto especialmente honrado por participar deste momento. Agradeço ao governo do Estado por contribuir para a qualificação do atendimento da saúde das pessoas”, afirmou.

Importância da iniciativa

Segundo dados do Ministério da Saúde, 1% dos nascidos vivos no Brasil apresentam algum tipo de cardiopatia congênita, o que representa cerca de 30 mil novos casos por ano. Trata-se da anomalia congênita mais frequente e da terceira principal causa de mortalidade neonatal no país, conforme o Plano Nacional de Assistência à Criança com Cardiopatia Congênita.

No Rio Grande do Sul, onde ocorrem aproximadamente 100 mil nascimentos anuais, estima-se que cerca de mil crianças nasçam com essa condição a cada ano. Dessas, 40% necessitam de intervenção cirúrgica no primeiro ano de vida, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e da existência de serviços especializados para salvar vidas e reduzir a mortalidade infantil.

Condições contempladas

Entre as condições que podem exigir intervenção cardíaca no período fetal ou neonatal, conforme o protocolo de regulação ambulatorial em obstetrícia, estão cardiopatias graves como:

  • transposição das grandes artérias;
  • atresia ou estenose pulmonar crítica;
  • coartação da aorta;
  • estenose aórtica moderada ou severa;
  • dupla via de saída de ventrículo direito;
  • tronco arterial comum;
  • drenagem venosa anômala;
  • hipoplasia do coração esquerdo;
  • anomalia de Ebstein;
  • tetralogia de Fallot, entre outras.

Também podem demandar atenção especial patologias não cardíacas que afetam a circulação do feto ou do recém-nascido, como:

  • hérnia diafragmática congênita;
  • síndrome de transfusão feto-fetal;
  • fístulas de alto débito.

Texto: Ascom SES
Edição: Secom

Portal do Estado do Rio Grande do Sul