Governo do Estado apresenta avanços em governança e uso de dados do Programa RS Seguro no South Summit Brazil 2026
Ferramentas do GESeg ampliam precisão na leitura de cenários criminais
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Representantes do Programa RS Seguro, apresentaram, nesta quarta-feira (25/3), no espaço RS Innovation, do South Summit Brazil (SSB) 2026, evento que tem correalização do governo do Estado, o painel “Governança na segurança pública, orientando a priorização das ações estratégicas e operacionais, a partir da Detecção de Anomalias”. Apresentado pelo secretário executivo do RS Seguro, Antônio Padilha, e pelos estatísticos e assessores técnicos do programa Henrique Joner e Rafael Bernardini, o painel destacou as iniciativas estratégicas da iniciativa pública criada em fevereiro de 2019, que se tornou uma solução inovadora para a governança da segurança pública baseada em análise avançada de dados.
Na abertura do painel, Antônio Padilha destacou a importância do tema central do SSB estar vinculado à conexão humana e a capacidade que precisamos desenvolver em transformar os dados em políticas públicas consistentes. Mencionou que uma boa governança exige, cada vez mais, ferramentas capazes não apenas de monitorar indicadores, mas de identificar automaticamente situações críticas fora do padrão. Nesse contexto, o Módulo de Anomalias do Sistema de Gestão Estatística — GESeg foi apresentado como uma solução institucional desenvolvida para apoiar a avaliação e a priorização de ações.
Padilha lembrou que, antes da criação do RS Seguro, os índices de violência no Estado, em especial dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), eram muito altos. “O Rio Grande do Sul foi o primeiro Estado a digitalizar o registro de ocorrências, mas essa informação demorava para chegar para quem tinha que fomentar as políticas públicas. Dessa forma, criamos o GESeg, uma ferramenta desenvolvida em conjunto pelo RS Seguro, o Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio Grande do Sul S.A. (Procergs) e a participação ativa de quem faz a segurança pública no dia a dia”, disse.
Joner e Bernardini falaram sobre como funciona o Módulo de Detecção de Anomalias em indicadores criminais do GESeg, que se baseia no uso de inteligência analítica como suporte à tomada de decisão, para orientar a priorização de ações estratégicas e operacionais na área da segurança.
Eles explicaram que a ferramenta tem um amplo alcance porque consegue analisar a criminalidade sob diversos ângulos ao mesmo tempo. O sistema combina tipos de crime, diferentes territórios — do Estado aos municípios e áreas específicas com maior concentração de ocorrências — e vários recortes temporais, como diferentes horizontes temporais, dias da semana e turnos do dia. Com isso, pode avaliar até 59 milhões de situações possíveis. Dessas, cerca de 2 milhões são efetivamente encontradas nos dados e analisadas, o que permite localizar mudanças fora do padrão e situações potencialmente críticas com muito mais precisão.
Áreas de Alta Densidade Criminal e Índice de Priorização de Anomalias
Nesse contexto, foi apresentada a metodologia de identificação das Áreas de Alta Densidade Criminal (ADCs). Identificadas analiticamente, essas áreas não se limitam às territorializações tradicionalmente consagradas, como municípios ou bairros. Ao delimitar as regiões onde há maior densidade criminal para o indicador analisado, mesmo quando essas áreas se sobrepõem a divisas municipais, as ADCs possibilitam que a análise vá mais diretamente ao problema, sem ficar restrita a barreiras territoriais artificiais.
Para transformar esse grande volume de informações em ação efetiva, o sistema conta com o Índice de Priorização de Anomalias (IPA), que organiza automaticamente os eventos conforme sua relevância. O IPA considera 11 dimensões analíticas, entre elas gravidade, urgência temporal, impacto no território e por habitante, extensão territorial e temporal, intensidade relativa e absoluta e a confiabilidade da detecção, dentre outras, resultando em uma lista focalizada de situações prioritárias para análise pelas autoridades. Essa priorização pode ser aplicada em diferentes escalas, desde a seleção das anomalias mais relevantes para análise em nível estadual até a priorização em um município específico, em um território determinado ou em recortes temporais mais curtos, como os últimos sete dias.
Com esses dados, o Módulo de Anomalias do Sistema GESeg possibilita identificar automaticamente situações críticas, acompanhar sua evolução e direcionar, com maior precisão, a atuação estratégica, tática e operacional dos órgãos de segurança pública em determinado território. “Em síntese, a ferramenta organiza os dados, contabiliza vítimas e agressores, identifica situações discrepantes ou anômalas, acompanha ao longo do tempo sua continuidade ou dissipação, prioriza os casos mais relevantes e exibe essas informações de forma estruturada para que os operadores da segurança pública possam analisá-las e, a partir disso, orientar e priorizar suas ações”, salientou Bernardini.
Ao final, Padilha ressaltou que as ações do RS Seguro vêm despertando o interesse de outros órgãos da federação e até de outros países. “Temos uma governança bem estruturada, com metodologia clara e a efetiva participação dos órgãos de segurança e de justiça. Dispomos de uma ferramenta extremamente estratégica e que, por trabalhar com informações precisas, tem contribuído para a redução significativa dos indicadores de violência no Rio Grande do Sul. Mesmo com muito trabalho a fazer, tenho a certeza de que estamos no caminho certo”, afirmou.
Texto: Elio Bandeira/Ascom RS Seguro
Edição: Secom