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Escuta acolhedora para mulheres é tema de capacitação promovida pelo governo do Estado a servidores das agências do Sine

Mais de 300 profissionais participaram do treinamento para qualificar o atendimento às mulheres

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Foto mostra a secretária-adjunta Viviane Viegas falando em frente a um computador durante a videoconferência.
Proposta da capacitação é sair de uma abordagem protocolar para um atendimento humanizado e acolhedor - Foto: Ascom SDM

O governo do Estado, por meio das secretarias da Mulher (SDM) e de Trabalho e Desenvolvimento Profissional (STDP), promoveu, na sexta-feira (29/5), uma capacitação voltada a servidores da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (Fgtas) sobre atendimento com perspectiva de gênero. A atividade, realizada por videoconferência, reuniu cerca de 300 profissionais que atuam em agências do Sistema Nacional de Emprego (Sine) no Rio Grande do Sul e também delegados regionais de trabalho.

A abertura da capacitação foi realizada pelo secretário de Trabalho e Desenvolvimento Profissional, José Scorsatto, que destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres. “Essa é uma parceria muito importante para avançar na política pública no atendimento da mulher e sua colocação no mercado de trabalho. Toda a rede precisa estar preparada para esses atendimentos quando a mulher procura sua colocação no mercado de trabalho”, afirmou.

Conduzida pela secretária-adjunta da Mulher, Viviane Viegas, a capacitação buscou orientar o tratamento dado pelos atendentes às mulheres que procuram vagas de trabalho, passando de uma abordagem protocolar para um atendimento humanizado e acolhedor. “Esse deve ser também um momento de escuta para as mulheres, por isso é preciso ultrapassar a ideia de apenas preencher uma vaga no sistema, mas agir com empatia e entender o que está acontecendo, pois muitas vezes, a violência não tem marcas visíveis”, disse Viviane.

Foto mostra a secretária-adjunta Viviane Viegas falando em frente a um computador durante a videoconferência.
“Nem toda mulher vai declarar a violência abertamente, então o servidor deve estar treinado a perceber os sinais", disse Viviane - Foto: Ascom SDM

Escuta atenta

Ao destacar a necessidade de uma abordagem mais atenta às diferentes realidades enfrentadas pelas mulheres, o diretor-presidente interino da Fgtas, Carlos Eduardo Pradel Prestes, ressaltou que a iniciativa vem sendo construída de forma contínua pela instituição. “Esse é um projeto que estamos trabalhando desde 2023 e se trata de um atendimento transversal, de um público que requer um atendimento especial”, enfatizou.

A secretária-adjunta frisou que muitas mulheres que estão em situação de violência carregam uma carga emocional por dias, meses ou anos, já que o sofrimento psicológico nem sempre é conhecido. “A percepção que nós temos, enquanto sociedade é de que as violências só acontecem quando há marcas visíveis, afinal há mulheres que sequer percebem que estão sofrendo”, explicou.

A atividade também buscou alertar sobre a necessidade de considerar a perspectiva de gênero, isto é, a construção social e os papéis atribuídos socialmente a homens e mulheres, o que inclui a identidade de gênero. Nessa linha, Viviane citou aspectos relacionados à diferença salarial, à penalização da maternidade, ao menor acesso a cargos de liderança por parte das mulheres e à segregação ocupacional. A representante da SDM também lançou um olhar para outros fatores que vão além da dimensão do gênero - território, renda, escolaridade e raça -, tendo em vista que a exclusão não é igual para todas. “Mulheres negras e periféricas enfrentam a maior carga de exclusão; mães solo lidam com menos disponibilidade de tempo e rede de apoio”, ressaltou.

Por fim, foi apontada a necessidade de uma escuta qualificada no atendimento às mulheres. Na oportunidade, Viviane diferenciou o ato de ouvir e o ato de escutar, o que por sua vez exige atenção plena, interpretação do contexto e resposta empática. Essa postura é essencial para compreender os fatores que impactam as mulheres no momento de aceitar ou não uma vaga de trabalho, pois muitas enfrentam dupla jornada, possuem restrição de mobilidade, têm baixa autonomia financeira, não têm rede de apoio comunitária/familiar e, além de tudo, estão em situação de violência doméstica. “Nem toda a mulher vai declarar a violência abertamente, então o servidor deve estar treinado para perceber os sinais não verbais”, destacou Viviane. 

Texto: Ascom SDM
Edição: Secom

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