BRDE tem resultados históricos em 2025, com carteira de crédito de R$ 24,1 bilhões e impacto na geração de empregos
Lucro operacional cresce 52,7% no ano passado e chega a R$ 721,4 milhões
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Os financiamentos concedidos pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), instituição vinculada ao governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), em 2025, corresponderam à manutenção ou geração de 83.425 postos de trabalho nos Estados onde atua ao longo de um ano. No mesmo período, a instituição contratou R$ 5,6 bilhões em crédito, gerando impacto estimado de R$ 666 milhões na arrecadação de ICMS e encerrou o ano com carteira recorde de R$ 24,1 bilhões. O resultado operacional registrou o maior nível da série histórica, chegando a R$ 721,4 milhões, com crescimento de 52,7% sobre o ano anterior.
Os dados integram o balanço patrimonial do BRDE referente a 2025, divulgado nesta segunda-feira (30/3), e evidenciam um banco que preservou forte ritmo de apoio à economia real e, ao mesmo tempo, ampliou a musculatura financeira para sustentar novos ciclos de expansão. A estimativa sobre geração e manutenção de empregos segue metodologia de matriz insumo-produto, utilizada pela instituição para medir seus impactos econômicos.
Para o titular da Sedec, Leandro Evaldt, os números apresentados pelo BRDE são motivo de orgulho para o Estado. “Este resultado demonstra a solidez da instituição e sua relevância estratégica para o desenvolvimento econômico. Trata-se, ainda, de um impacto direto na vida das pessoas, com a manutenção e geração de milhares de empregos, além de apoio decisivo à agricultura familiar, às cooperativas e às micro e pequenas empresas”, disse.
Papel estratégico em cenário econômico desafiador
Na avaliação do diretor de Operações do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior, o desempenho alcançado em 2025 é ainda mais significativo, considerando o contexto que a economia brasileira vem enfrentando. “Diante de desafios que dificultam novos investimentos, como o próprio acesso ao crédito, o banco reafirmou seu papel estratégico para o desenvolvimento da região Sul e do país. Buscamos apoiar os setores mais relevantes da nossa economia, com impactos positivos para a sociedade, a começar pela geração de empregos e a sustentabilidade dos negócios”, destacou.
Ao longo do ano passado, Ranolfo respondeu pela presidência do BRDE até o final de outubro. Para ele, o resultado líquido é decorrência de um aumento das receitas operacionais, mas, principalmente, pela própria expansão da carteira de crédito. “Esse desempenho evidencia que se trata de uma instituição sólida. Como esses recursos permanecem no próprio banco, o resultado reforça o patrimônio e sustenta a capacidade futura de financiar novos projetos”, acrescentou o diretor. No ano passado, o saldo das operações de crédito e repasses cresceu 12,1% em relação a 2024, enquanto o ativo total avançou 14,3%, para R$ 29,2 bilhões, e o patrimônio líquido subiu 16,4%, alcançando R$ 5,2 bilhões
Setores
O BRDE manteve, em 2025, o mesmo patamar elevado de contratações observado no ano anterior, com R$ 5,6 bilhões em novos financiamentos distribuídos por empreendimentos rurais e urbanos em toda a sua área de atuação. O número confirma a robustez operacional da instituição e continuidade das operações em um ambiente ainda marcado por taxas de juros elevadas e maior seletividade no crédito de longo prazo.
Na divisão setorial, a agropecuária liderou as contratações, com R$ 1,9 bilhão, seguida por comércio e serviços, com R$ 1,8 bilhão; indústria, com R$ 1,3 bilhão; e infraestrutura, com R$ 664 milhões. Considerada toda a cadeia do agronegócio — agricultura familiar, cooperativas agroindustriais e empresas do setor —, o apoio do banco alcançou R$ 2,8 bilhões no ano.
A carteira reúne 44,8 mil clientes ativos, com empreendimentos financiados em 1.211 municípios, sendo 1.136 na região Sul — presença equivalente a 95,4% dos municípios da região. Entre os portes de clientes, o maior volume de crédito foi concedido a grandes empresas, com R$ 2,3 bilhões, puxados principalmente por cooperativas agroindustriais, que responderam por 50,1% do total financiado nesse segmento. Já o crédito direto a produtores rurais somou R$ 1,7 bilhão, com crescimento de 43,5% em relação a 2024, concentrando-se sobretudo em pequenos produtores e na agricultura familiar.
Os números revelam também uma instituição com forte capilaridade no financiamento de menor porte. Em 2025, 75,8% das operações foram realizadas com produtores rurais, em sua maioria agricultores familiares, e 22,3% com micro e pequenas empresas. Parte relevante dessa disseminação do crédito ocorreu por meio de convênios com instituições financeiras parceiras, nas chamadas operações indiretas, que cresceram 24,2% em relação ao ano anterior.
“É por meio das parcerias que chegamos à ponta, onde o crédito faz toda a diferença. Apoiar as empresas de menor porte e os produtores rurais têm um reflexo direto na dinâmica econômica e social de diferentes regiões”, apontou o diretor de Planejamento do banco, Leonardo Busatto.
Se a fotografia operacional indica estabilidade em volume e amplitude em cobertura, o desempenho financeiro reforça a leitura de um banco ainda mais sólido. O patrimônio líquido chegou a R$ 5,2 bilhões ao final de 2025, avanço de 16,4% em relação ao ano anterior. Esse movimento decorre, em grande medida, da incorporação dos resultados gerados pela instituição, o que aumenta sua capacidade de alavancagem e, na prática, amplia o espaço para novas operações de crédito.
Sustentabilidade
O impacto dos financiamentos também se reflete na qualidade da destinação dos recursos. Dos R$ 5,6 bilhões contratados em 2025, 79,1% estavam alinhados a pelo menos um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o equivalente a cerca de R$ 4,5 bilhões. Parte relevante desses recursos foi destinada à geração de energia renovável, à eficiência energética — como modernização da iluminação pública — e a ações de resiliência climática nos municípios.
“São diretrizes que estão alinhadas a um único propósito, fazer da região Sul uma referência em desenvolvimento sustentável. Para tanto, precisamos de maior eficiência dos nossos modelos de produção, além de transformar as cidades em espaços mais resilientes, incorporando conceitos de smart cities”, destacou Busatto.
Diversificação
A robustez patrimonial veio acompanhada de avanço na diversificação das fontes de recursos. Em 2025, o BRDE operou com 12 provedores de funding, tendo o Sistema BNDES como principal fonte (67,9%), seguida pelo conjunto de fontes externas de fomento (10,8%).
Paralelamente, o banco acelerou sua estratégia de captação via mercado de capitais. Foram emitidos R$ 484 milhões em Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCDs), CDBs e Letras Financeiras (LFs), o que permitiu à instituição alcançar R$ 1,17 bilhão em recursos captados, e clientes diretos reforçam a credibilidade crescente do BRDE diante do mercado.
Na frente externa, o principal movimento do ano foi a nova operação firmada com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), no valor de 120 milhões de euros. O termo foi celebrado em junho do ano passado, durante participação de Ranolfo no Fórum Econômico Brasil-França, que aconteceu em Paris.
Texto: Ascom BRDE
Edição: Secom