RS cresce acima da média nacional (*Olívio Dutra)
Publicação:
O crescimento de 10,64% da produção física da indústria gaúcha, registrado pelo IBGE no último mês de abril (em relação a abril do ano anterior), não deixa dúvida sobre o esforço de todos os gaúchos para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul. Esse índice corresponde ao dobro da média nacional, estacionada em 5,6%, e não está isolado em relação às taxas positivas obtidas anteriormente. Em maio, os números voltaram a expressar crescimento: 5,7% a mais no RS, enquanto a média nacional foi menos 0,9%. Surpreendentemente, se considerarmos os clamores de certos setores da sociedade em relação à Ford, que desistiu de instalar-se no Rio Grande do Sul, o estado da Bahia vem mostrando índices decrescentes em sua atividade industrial. Em abril passado, por exemplo, registrou-se crescimento negativo de 6,6%. Em maio, 19% negativos. Não ficamos particularmente felizes com estes transtornos na vida econômica de um estado irmão, mas eles são importantes para comprovar que o desenvolvimento de uma região não depende, obrigatoriamente, de estar acoplado a uma grande empresa multinacional. Em nossa opinião, grandes empresas são bem vindas, desde que possam associar-se ao universo produtivo da região, como acontece com várias delas no RS, e desde que não exijam sacrifícios financeiros do governo e da população. A Ford, é bom lembrar, faturou em 2001 valores equivalentes a quatro PIBs gaúchos e 48 vezes a arrecadação anual do RS e, em tese, não precisa de apoio dos governos para instalar-se. Os incentivos fiscais que os estados concedem a grandes empresas, na expectativa de atrair investimentos, podem ser enganosos. Ao abrir mão de receitas por longos anos, o governo reduz sua capacidade de investir no equilíbrio econômico e social e limita sua possibilidade de oferecer serviços públicos de qualidade à população. Nem sempre o número de empregos criados e a movimentação econômica correspondem à renúncia de receita pública. Sem falar no risco de que estas empresas, não obtendo os resultados esperados, digam adeus a seus anfitriões, causando enormes prejuízos econômicos e sociais ? como já aconteceu no Paraná, por exemplo. Ao contrário do pensamento que identifica nos grandes empreendimentos externos a salvação da economia nacional, nosso governo acredita na vitalidade da economia do nosso Estado, na criatividade e na capacidade de trabalho dos brasileiros e, em particular, dos gaúchos. Nossos sistemas locais de produção, que lastreiam a economia, têm tradição e solidez. Articulam-se e complementam-se, cada um deles, dentro de um mesmo setor ? como o do couro e calçados, com sua série de componentes e insumos. Estes sistemas, que fazem parte da história da economia gaúcha, têm merecido, por parte do nosso governo, políticas de estímulo para sua melhor articulação ? o que certamente é mais justo do que beneficiar com incentivos empreendimentos que não mantêm vínculos com nossa estrutura de produção ou com nosso Estado. Nossos programas de estímulo ao crescimento, desenvolvidos em conjunto por mais de uma secretaria de Estado, visam incentivar a economia de todas as regiões e de todos os setores produtivos, sem concentração regional ou setorial. Empresas são assistidas por meio de programas de crédito, extensão empresarial, incubadoras e promoção às exportações. Incentivamos a pesquisa, em convênios com nossas universidades, e estamos formando o primeiro centro de excelência em microeletrônica da América do Sul, gerador de conhecimento e de tecnologia de ponta. Sete incubadoras tecnológicas estão em implantação no Estado e investimos em Pólos Regionais de Inovação Tecnológica, direcionados ao setor produtivo e às vocações econômicas regionais. Estamos convictos de que este é o caminho. Os números do crescimento do RS confirmam nossa convicção. (Governador do RS)