Pesquisa registra queda no nível ocupacional de negros na Região Metropolitana
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Em 2011, o nível ocupacional da população negra da Região Metropolitana de Porto Alegre teve retração em todos os setores de atividade. As maiores quedas ficaram por conta do comércio (14,7%), serviços (13,7%) e nos serviços domésticos (7,7%), além da indústria (3,3%). Somente na construção civil, o contingente de negros se manteve inalterado.
Os dados fazem parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego de Negros e não Negros no Mercado de Trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre, realizada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) em conjunto com a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA), e divulgada nesta terça-feira (13), na Sala de Eventos da FEE.
O trabalho, que está em sua 5ª edição e é realizado em comemoração ao Dia da Consciência Negra (20 de novembro), tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre o tema e suprir os gestores públicos de informações estratégicas para formulação de ações que busquem reduzir as discriminações e as desigualdades que ocorrem no âmbito do mercado de trabalho regional. O ano de 2011 não foi um ano muito feliz para a população negra da Região Metropolitana de Porto Alegre, havendo registro de quedas em todos os setores produtivos, analisou a coordenadora da Pesquisa, economista Dulce Helena Vergara.
Discriminação
De acordo com Dulce Vergara, é preciso vontade para se reduzir as discriminações no mercado de trabalho em relação aos homens e mulheres negras. Hoje o negro precisa se superar e ser muito melhor que o candidato branco para ficar com a vaga no mercado de trabalho, explicou a pesquisadora, destacando a necessidade de se investir mais em cursos de qualificação para os negros.
A Pesquisa aponta que, em 2011, em relação ao ano de 2010, o nível ocupacional para os negros caiu 11,1%, enquanto para os não negros aumentou 5,1%. Para os homens negros houve redução em todas as formas de contratação, ressaltando-se o trabalho assalariado sem carteira assinada no setor privado, o qual apresentou redução de 21,7%.
Para as mulheres negras, as quedas mais importantes ocorreram também no emprego sem carteira (-33,3%) e no trabalho autônomo (-20%). Para os não negros, quase todas as modalidades apresentaram variações positivas, exetuando-se o emprego sem carteira, os autônomos e as demais posições.
Com relação aos rendimentos médios, a pesquisa evidencia elevação para o total dos ocupados negros, cujo rendimento médio teve uma elevação de R$ 1.020,00 em 2010, para R$ 1.078,00, em 2011, enquanto para os não negros o rendimento médio pouco variou, passando de R$ 1.556,00, para R$ 1.564,00, no mesmo período.
Leve elevação na taxa de participação
As informações captadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, em 2010 e 2011, mostram que a taxa de participação no mercado de trabalho da população negra apresentou uma pequena variação positiva ao passar de 56,3%, em 2010, para 57%, em 2011. Para a população não negra, o período analisado mostra um comportamento contrário, ou seja, uma leve variação negativa da taxa de participação, que passou de 57,9% em 2010, para 57,1%, em 2011.
Texto: Paulo Fontoura
Edição: Redação Secom (51) 3210.4305