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Pesquisa registra queda no nível ocupacional de negros na Região Metropolitana

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13.11.12: A economista Dulce Helena Vergara em destaque na divulgação dos dados de inserção no mercado de trabalho da população negra na Região Metropolitana de Porto Alegre.
FEE divulga dados sobre mercado de trabalho da população negra - Foto: Gustavo Gargioni/Especial Palácio Piratini

Em 2011, o nível ocupacional da população negra da Região Metropolitana de Porto Alegre teve retração em todos os setores de atividade. As maiores quedas ficaram por conta do comércio (14,7%), serviços (13,7%) e nos serviços domésticos (7,7%), além da indústria (3,3%). Somente na construção civil, o contingente de negros se manteve inalterado.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego de Negros e não Negros no Mercado de Trabalho da Região Metropolitana de Porto Alegre, realizada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) em conjunto com a Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA), e divulgada nesta terça-feira (13), na Sala de Eventos da FEE.

O trabalho, que está em sua 5ª edição e é realizado em comemoração ao Dia da Consciência Negra (20 de novembro), tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre o tema e suprir os gestores públicos de informações estratégicas para formulação de ações que busquem reduzir as discriminações e as desigualdades que ocorrem no âmbito do mercado de trabalho regional. O ano de 2011 não foi um ano muito feliz para a população negra da Região Metropolitana de Porto Alegre, havendo registro de quedas em todos os setores produtivos, analisou a coordenadora da Pesquisa, economista Dulce Helena Vergara.

Discriminação
De acordo com Dulce Vergara, é preciso vontade para se reduzir as discriminações no mercado de trabalho em relação aos homens e mulheres negras. Hoje o negro precisa se superar e ser muito melhor que o candidato branco para ficar com a vaga no mercado de trabalho, explicou a pesquisadora, destacando a necessidade de se investir mais em cursos de qualificação para os negros.

A Pesquisa aponta que, em 2011, em relação ao ano de 2010, o nível ocupacional para os negros caiu 11,1%, enquanto para os não negros aumentou 5,1%. Para os homens negros houve redução em todas as formas de contratação, ressaltando-se o trabalho assalariado sem carteira assinada no setor privado, o qual apresentou redução de 21,7%.

Para as mulheres negras, as quedas mais importantes ocorreram também no emprego sem carteira (-33,3%) e no trabalho autônomo (-20%). Para os não negros, quase todas as modalidades apresentaram variações positivas, exetuando-se o emprego sem carteira, os autônomos e as demais posições.

Com relação aos rendimentos médios, a pesquisa evidencia elevação para o total dos ocupados negros, cujo rendimento médio teve uma elevação de R$ 1.020,00 em 2010, para R$ 1.078,00, em 2011, enquanto para os não negros o rendimento médio pouco variou, passando de R$ 1.556,00, para R$ 1.564,00, no mesmo período.

Leve elevação na taxa de participação
As informações captadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, em 2010 e 2011, mostram que a taxa de participação no mercado de trabalho da população negra apresentou uma pequena variação positiva ao passar de 56,3%, em 2010, para 57%, em 2011. Para a população não negra, o período analisado mostra um comportamento contrário, ou seja, uma leve variação negativa da taxa de participação, que passou de 57,9% em 2010, para 57,1%, em 2011.

Texto: Paulo Fontoura
Edição: Redação Secom (51) 3210.4305 

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