Oficina de fotografia pinhole inova no tratamento a dependência química em Alvorada
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Um buraco de agulha e uma lata indicam a luz para jovens e adultos dependentes químicos, atendidos pelo Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas (CAPS-AD), em Alvorada. A nova realidade surge por meio da oficina de fotografia pinhole, ou buraco da agulha. Na aplicação da técnica, uma lata com um pequeno furo de agulha transforma-se em câmera - sem utilização de lentes, a luz solar sensibiliza o papel virgem e vai desenhando a fotografia de forma artesanal.
A câmera do tipo Pinhole também não possui visor; a composição, o tempo certo da exposição e o enquadramento das fotografias só podem ser acertados pela repetição, ou seja, vale o elemento surpresa. É a arte de fotografar estimulando o olhar para o mundo. Venho por necessidade expressiva: desejo de comunicação, anseio de romper barreiras, registra um dos participantes.
O projeto surgiu da experiência de um fotógrafo. Depois de atuar por mais de 25 anos como laboratorista e fotógrafo profissional, com passagem por veículos de comunicação e agências de publicidade, em Porto Alegre, foi a lata que deu novo rumo à Jorge Aguiar. No final dos anos 90, trabalhando como fotógrafo da perícia criminalística, Aguiar conviveu com a dura realidade da violência nas vilas e morros da periferia da Grande Porto Alegre. A partir daí, decidiu ensinar o que sabia para jovens em situação de vulnerabilidade social e passou a promover oficinas de fotografia pinhole, dando origem ao Projeto Photo da Lata.
A oficina é um dos projetos aprovados para a terceira edição da Rede Parceira Social (RPS), por meio da Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social do Estado do Rio Grande do Sul (SJDS). A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) é patrocinadora e fiscalizadora do projeto social, executado pelo Instituto Luz Reveladora, com apoio da Secretaria Municipal da Saúde de Alvorada. A terceira edição da RPS recebeu investimento total de R$ 7,5 milhões, com a expectativa de atender 80 municípios, beneficiando cerca 42 mil pessoas no estado.
A Rede Parceria Social tem o seguinte funcionamento: empresas financiam projetos de organizações com ações reconhecidas no âmbito social - as chamadas entidades âncoras. Estas, por sua vez, disponibilizam editais que devem ser preenchidos pelas organizações comunitárias que trabalham em todo o Estado. Os editais são analisados pela Comissão de Avaliação de Projetos, e os selecionados recebem financiamento e capacitação.