Obras de restauração da Biblioteca Pública do Estado focam na acessibilidade e na climatização
Investimento de R$ 12,6 milhões inclui recuperação e atualização estruturais, além da conservação do acervo
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A restauração da Biblioteca Pública do Estado (BPE), instituição da Secretaria da Cultura (Sedac), segue avançando. Com investimento do governo do Estado superior a R$ 12,6 milhões e previsão de conclusão no primeiro quadrimestre de 2027, as obras contemplam atualizações estruturais, climatização e recursos de acessibilidade. Devido às intervenções, o acesso pela Rua Riachuelo encontra-se fechado e o atendimento ao público está ocorrendo na Gibiteca, na lateral do prédio (acesso pela Rua General Câmara).
Com foco na recuperação e atualização das instalações da BPE, as ações incluem melhorias na rede elétrica, implantação de novo sistema de climatização e controle de umidade, execução do Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndio (PPCI), instalação de um novo elevador e adaptação dos sanitários para pessoas com deficiência.
“A BPE é um espaço cultural vivo, de encontros, de troca de conhecimentos, de acesso à informação, e a qualificação dos seus espaços irá contribuir, sem dúvida, para uma maior aproximação da comunidade com o livro, a leitura e a literatura. Além disso, o público se sentirá melhor acolhido em uma instituição mais acessível e climatizada adequadamente. A BPE é um cartão de visitas literário da capital e após esse restauro, ficará ainda mais bonita e acolhedora. A espera valerá a pena!”, ressalta o diretor do Departamento do Livro, Leitura e Literatura (DLLL) da Sedac, Silvio Bento.
A obra também envolve a estabilização dos forros de estuque e a restauração de pisos de madeira, das fachadas principais e de elementos do pátio interno (entre eles, a fonte e a escadaria metálica de acesso ao segundo pavimento). Para a execução dos trabalhos, foi necessário o fechamento parcial e temporário do prédio, cuja previsão de reabertura precisou ser replanejada devido à complexidade das intervenções e à necessidade de garantir a integridade artística e arquitetônica da edificação.
Valorização do patrimônio cultural
As intervenções dão continuidade a um conjunto de obras que o governo do Estado, por meio da Sedac, vem realizando na BPE nesta década. Desde 2021, já foram investidos mais de R$ 19 milhões na recuperação do prédio da instituição, para a realização de ações como a restauração de fachadas, de mobiliário, de lustres e de pinturas murais no hall de entrada e em uma das paredes da sala de leitura.
“Tendo em vista a relevância histórica e artística desses espaços, aliada ao precário estado de conservação das pinturas murais que estavam escondidas sob cinco outras camadas de pintura executadas posteriormente, a Sedac viabilizou, a partir de 2021, a retomada das ações de restauração dos elementos artísticos do espaço do hall da escada principal, assim como da parede divisória entre o hall e a sala de leitura. Essa ação, que durou até 2025, viabilizou a retomada da imagem original desses espaços com a qualidade técnica necessária, permitindo, ao público usuário e visitante, a visualização dessas obras de arte devidamente restauradas”, explica o diretor do Departamento de Memória e Patrimônio da Sedac, Eduardo Hahn.
Apesar de todo o trabalho executado até agora, as ações de restauração das pinturas murais, em razão da sua escala e especificidade técnica, ainda deverão ocorrer por alguns anos. Segundo Hahn, ainda existem em torno de 10 grandes espaços pintados a serem restaurados na edificação.
Criada em 1871, a BPE está instalada, desde 1915, na Rua Riachuelo, 1190, próxima à Praça da Matriz, no Centro Histórico de Porto Alegre. Ao longo do tempo, a instituição consolidou-se em nível estadual e nacional pela riqueza de seu acervo bibliográfico e pelo valor artístico e arquitetônico de sua edificação. Também guarda em seu acervo importantes documentos, como os relatórios do governo do Estado a partir de 1860 e os “Anais da Província de São Pedro”, de José Feliciano Fernandes Pinheiro, além de uma coleção com obras raras dos séculos XVI a XIX – como “Pharsalia”, de Lucano (1519), “La Divina Commedia”, de Dante Alighieri (1921), e “Os Lusíadas”, de Luís de Camões (1819).
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) em 1986 e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2000, o prédio da Biblioteca foi projetado pelos engenheiros Afonso Hebert e Teófilo Borges de Barros, da Secretaria de Obras Públicas (SOP). Tanto em sua fachada quanto em seu interior, apresenta influência da doutrina positivista e uma composição artística e arquitetônica que segue as linhas do movimento eclético da arquitetura, com referências a vários períodos históricos.
As pinturas decorativas dos espaços internos são baseadas em diversos momentos da história da arte, como o Egito Antigo, simbolizado pelo Salão Egípcio, o movimento barroco, presente na Sala Borges de Medeiros, e a arte árabe, representada no Salão Mourisco. “É um dos prédios mais requintados, artisticamente falando, que temos no Rio Grande do Sul. Foi construído, à época, para ser um verdadeiro palácio da literatura, resguardando em seu interior grande parte do conhecimento literário do período”, contextualiza Hahn. A maior parte da decoração foi executada pelos artífices pintores Fernando Schlater e S. Incerpi e pelos escultores Alfred Adloff, Eduardo de Sá e Giuseppe Gaudenzi.
Texto: Ascom Sedac
Edição: Eduardo Devens/Secom