Jardim Botânico recebe cactos nativos do RS apreendidos em operação contra biopirataria
Mais de 200 exemplares retirados ilegalmente do RS foram interceptados em operação internacional
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O Jardim Botânico (JB) em Porto Alegre, administrado pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), recebeu, na terça-feira (3/3), 214 cactos de 19 espécies diferentes apreendidos em uma operação de combate ao tráfico internacional de espécies silvestres. Os exemplares, nativos do Rio Grande do Sul, foram interceptados na última quinta-feira (26/2) pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Além dos cactos, centenas de sementes foram apreendidas. As espécies são originárias da Serra do sudeste do Estado. A destinação ao JB ocorreu em razão da estrutura técnica e da existência de coleção especializada em cactáceas, além de equipe capacitada para o manejo e a conservação.
De acordo com a analista bióloga e curadora das coleções do parque, Rosana Faria Singer, os próximos passos envolvem o registro e a avaliação documental do material. “Após o registro, será analisada a possibilidade de devolução ao ambiente natural. Caso não seja viável, os exemplares permanecerão sob a curadoria do Jardim Botânico, integrando o acervo científico da instituição”, afirmou.
Operação
A ação integrou a Operação Hermes, conduzida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para coibir o tráfico de espécies e fiscalizar cargas sujeitas a autorizações ambientais. Os exemplares estavam escondidos em quatro malas e eram transportados por turistas da República Tcheca, sem autorização.
“Trata-se de um crime que viola a Lei de Crimes Ambientais [Lei nº 9.605/1998] e a Lei de Biossegurança [Lei nº 11.105/2005]. Houve acesso indevido ao patrimônio genético brasileiro. Os envolvidos não possuíam licença para transportar esses materiais ao exterior, o que configura biopirataria”, afirmou o agente ambiental federal Gabriel Batista dos Santos, que acompanhou a ocorrência no aeroporto.
O tráfico dessa espécie é impulsionado, sobretudo, pelo valor ornamental e pela raridade. Além de configurar crime ambiental, a prática compromete diretamente a conservação. A retirada ilegal do território nativo reduz a diversidade genética das populações naturais e pode levar à extinção.
Não é a primeira vez que o JB recebe exemplares nativos oriundos de apreensões. Em novembro de 2024, cactos de 34 espécies foram recolhidos após uma operação que flagrou turistas russos tentando retirar ilegalmente plantas do país.
Texto: Milena Oliveira/Ascom Sema
Edição: Secom