Governo do Estado assina contratos no Litoral e inicia nova etapa dos estudos de batimetria no Rio Grande do Sul
Investimento de R$ 7,8 milhões permitirá ampliar mapeamento de rios e lagoas estratégicos para prevenção a eventos extremos
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O governo do Estado assinou, nesta quarta-feira (1/7), os contratos e as autorizações para o início dos trabalhos de campo de três novos blocos de estudos batimétricos em rios e lagoas do Rio Grande do Sul. A formalização ocorreu em Imbé, com a participação do governador Eduardo Leite, e marca o início de uma nova etapa do levantamento que subsidia ações de prevenção a enchentes, gestão de recursos hídricos e avaliação de futuras intervenções de desassoreamento.
Leite destacou que os novos estudos batimétricos representam um investimento estratégico para ampliar a prevenção a enchentes e fortalecer a resiliência climática do Estado. Segundo o governador, a recuperação da navegabilidade e a melhoria da drenagem exigem planejamento técnico e visão de longo prazo. “Estamos investindo em uma etapa essencial para que as futuras intervenções sejam realizadas com segurança e eficiência. É um trabalho que exige responsabilidade, porque seus resultados não aparecem em uma inauguração nem serão concluídos neste governo. É uma política de Estado, voltada a preparar o Rio Grande do Sul para enfrentar melhor os eventos meteorológicos, fortalecer a navegação, impulsionar a economia e garantir mais segurança para a população”, afirmou.
Com investimento de R$ 7,8 milhões provenientes do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), os novos estudos integram as ações do Plano Rio Grande, programa estadual voltado à reconstrução, à adaptação e ao fortalecimento da resiliência climática frente a eventos hidrológicos extremos.
A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura destacou a importância dos levantamentos para qualificar o planejamento das ações de prevenção e adaptação climática no Estado. “A batimetria é uma ferramenta fundamental para transformar dados em decisões. Com esses novos levantamentos, ampliamos nossa capacidade de compreender a dinâmica dos corpos hídricos gaúchos e de planejar ações que contribuam efetivamente para a redução de riscos e a proteção das pessoas e dos territórios. Estamos investindo em conhecimento e planejamento, contribuindo para a construção de um Estado mais resiliente às mudanças climáticas”, afirmou Marjorie.
Com a assinatura dos contratos e das ordens de serviço, as empresas responsáveis estão autorizadas a iniciar os trabalhos. À medida que os resultados forem consolidados, os dados serão disponibilizados pela Sema no Portal da Infraestrutura Estadual de Dados Espaciais (Iede), ampliando o acesso às informações por parte de pesquisadores, especialistas, municípios e órgãos de Defesa Civil. O material também servirá de base para a atualização de planos de contingência e para a tomada de decisões relacionadas à gestão dos recursos hídricos.
“Esses novos contratos de batimetria, que englobam o Litoral, não estavam previstos no projeto inicial e ampliam o escopo dos estudos ao contemplar, além das questões ambientais e de prevenção, também o potencial para o uso das hidrovias”, destacou o secretário-adjunto da Sema, Marcello Camardelli, que acompanhou o ato de assinatura.
Novos blocos de estudos
As novas contratações foram divididas em três blocos, cada um com investimento aproximado de R$ 2,6 milhões.
O primeiro bloco, denominado Planície Costeira – Tramandaí (Norte), será executado pelo Consórcio Ambicarbon (Carbon Sul Sustentabilidade Ltda. e Ambilev Oceanografia e Hidrografia Ltda.). A área de abrangência contempla a porção norte da bacia hidrográfica do Tramandaí, incluindo a Lagoa dos Quadros, Lagoa dos Barros, Rio Três Forquilhas, Rio Maquiné e os sistemas fluviais e lagunares associados.
O segundo bloco, Planície Costeira – Tramandaí (Sul), ficará a cargo da empresa Precursore Engenharia Portuária e Hidrografia Ltda. Os estudos abrangem o conjunto de lagoas localizadas na porção sul da bacia do Tramandaí, incluindo o Rio Tramandaí, as lagoas da Pinguela, do Peixoto, do Marcelino, da Fortaleza, do Gentil e das Custódias, além dos canais naturais de ligação e demais corpos hídricos interconectados ao sistema lagunar.
Já o terceiro bloco, denominado Montante Jacuí (Bacias Hidrográficas do Vacacaí, Alto Jacuí e Pardo), será executado pela empresa Acquaplan Tecnologia e Consultoria Ambiental Ltda. A área compreende as bacias hidrográficas do Alto Jacuí, Pardo e Vacacaí-Vacacaí Mirim, contribuindo para a consolidação dos estudos na Região Hidrográfica do Guaíba.
Os levantamentos batimétricos realizados pelo Estado se destacam pelo caráter inédito da contratação em larga escala, abrangendo simultaneamente diversos cursos hídricos e bacias hidrográficas no Rio Grande do Sul. A iniciativa permite uma análise integrada do leito dos rios e sistemas lagunares, ampliando a compreensão sobre a dinâmica hídrica no território.
A partir dos dados coletados e da posterior modelagem hidrodinâmica, será possível avaliar com maior precisão o comportamento dos cursos d'água e verificar se intervenções como dragagem ou desassoreamento podem contribuir para melhorar o fluxo hídrico e reduzir riscos de inundação.
Resultados preliminares
Em março de 2026, o governo do Estado já divulgou os resultados parciais dos primeiros estudos batimétricos realizados em quatro regiões prioritárias: os eixos Metropolitano (rios Gravataí, Sinos, Caí e Delta do Jacuí), Taquari-Antas, Baixo Jacuí e Guaíba.
Os dados preliminares indicaram que não foram identificadas alterações significativas nos pontos analisados onde foi possível comparar as condições anteriores e posteriores às enchentes de 2024.
Como funciona a batimetria
A batimetria consiste no mapeamento do relevo submerso de rios, lagoas e demais corpos hídricos. O trabalho é realizado com o auxílio de equipamentos especializados, como o ecobatímetro, que utiliza tecnologia de sonar associada a sistemas de georreferenciamento por satélite para medir profundidades e registrar a localização exata dos dados coletados.
Além do levantamento submerso, as equipes realizam o mapeamento das margens e áreas expostas por meio de receptores GNSS e drones equipados com sensores a laser. A combinação dessas informações permite construir modelos digitais da topografia e da morfologia dos corpos hídricos, fundamentais para simulações hidrológicas, previsão de elevação do nível da água e planejamento de medidas de mitigação de enchentes.
Texto: Tamires Tuliszewski/Ascom Sema
Edição: Secom