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Experiências sul-americanas destacam força das comunidades na prevenção e resposta a desastres

Painelistas defenderam atuação próxima ao território, voluntariado e cooperação regional como pilares da adaptação climática

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A imagem mostra um palco com quatro palestrantes sentados. Ao fundo, em um painel, lê-se "Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil".
Representantes da Argentina e do Equador compartilharam experiências sobre redução de riscos e preparação para desastres - Foto: Anselmo Cunha/Ascom Defesa Civil

A troca de experiências internacionais sobre redução de riscos e preparação para desastres prosseguiu no segundo dia do Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil, organizado pelo governo do Estado e a Local Governments for Sustainability (Iclei), com um painel dedicado às estratégias desenvolvidas por governos e organizações da América do Sul para enfrentar os impactos crescentes das mudanças climáticas. Integrada ao Programa Estadual de Preparação para Eventos Extremos (Prepara RS – El Niño), a discussão reuniu representantes da Argentina e do Equador, que destacaram a importância da presença dos gestores no território, do fortalecimento das redes comunitárias, do voluntariado e da cooperação regional para ampliar a resiliência das populações mais vulneráveis.

Representando a Província de Buenos Aires, o diretor de Transição Energética, Hernán Eduardo Hougassian, apresentou os desafios enfrentados pela região, que concentra cerca de 40% da população argentina em uma pequena parcela do território nacional. Entre os principais impactos observados estão o aumento das precipitações extremas, as ondas de calor e a erosão costeira acelerada em municípios turísticos. Hougassian destacou iniciativas de alerta precoce baseadas na participação comunitária, com uso de pluviômetros distribuídos à população e redes de comunicação por aplicativos de mensagens.

Para ele, o enfrentamento dos eventos extremos também passa pela superação de barreiras políticas e culturais. “O negacionismo climático é algo que nós precisamos combater, porque senão é impossível pensar em medidas de adaptação, sistemas de alerta precoce e discutir com a comunidade a construção dessas redes para salvar vidas. Estamos resistindo e nos organizando, levantando a bandeira de que um ambientalismo popular é possível e necessário em toda a América do Sul”, afirmou.

Do Equador, a governadora da província de Cotopaxi e representante do Consórcio de Governos Provinciais do Equador, Lourdes Licenia Tibán Guala, compartilhou experiências de gestão baseadas na proximidade com a população e na mobilização comunitária. Entre as iniciativas apresentadas está a estratégia de dedicar a maior parte do tempo de governo ao acompanhamento direto das demandas locais, além do uso de mutirões para execução de obras de infraestrutura com materiais reaproveitados.

Segundo ela, a atuação dos gestores deve estar diretamente conectada à realidade das comunidades expostas aos riscos. “Os desastres naturais não acontecem nos escritórios, eles acontecem no território. Portanto, toda autoridade, seja local, estadual ou nacional, precisa colocar o pé no território. Onde o pé pisa, a cabeça pensa. O modelo 80/20 significa dedicar 80% do tempo ao território e 20% às atividades administrativas”, explicou.

Assistência humanitária e fortalecimento do voluntariado

A coordenadora de Assuntos Regionais e Multilaterais da Comissão de Capacetes Brancos do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, Débora Susana Luzzi, destacou a importância da assistência humanitária coordenada e do fortalecimento do voluntariado como elementos centrais para a resposta a desastres. Ela ressaltou que a reconstrução das comunidades exige não apenas suporte material, mas também apoio social e emocional às populações atingidas.

Débora defendeu o fortalecimento dos mecanismos regionais de cooperação, como os fóruns sul-americanos de gestão de riscos, para ampliar a capacidade de resposta dos países diante de eventos extremos. “O voluntariado talvez seja a chave nessas questões. Quando falamos em chegar às comunidades e ao nível mais local, o papel do voluntário tem um significado importante. Nenhum país consegue fazer isso sozinho. A assistência humanitária e a coordenação regional são fundamentais para salvar vidas”, ressaltou.

Ao longo do painel, os participantes convergiram na avaliação de que a adaptação climática depende da combinação entre planejamento, participação comunitária e integração entre governos. As experiências compartilhadas demonstraram que, mesmo diante de restrições orçamentárias e desafios institucionais, iniciativas baseadas na confiança da população, no compartilhamento de informações e na cooperação regional podem fortalecer a capacidade de prevenção e resposta a desastres em toda a América do Sul.

Texto: Ascom Defesa Civil
Edição: Secom

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