Em NY, Eduardo Leite anuncia projeto da Invest RS para criação de fundo estratégico de desenvolvimento com até R$ 20 bilhões
Estrutura prevê mobilização de capital público e privado para financiar inovação, infraestrutura e resiliência climática
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Na capital financeira do mundo, o governador Eduardo Leite anunciou, na manhã desta terça-feira (12/5), um projeto liderado pela Invest RS para estruturar um fundo estratégico voltado à atração de investimentos e ao desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul. A iniciativa foi apresentada durante o Public & Private Capital Forum for Economic Development, realizado em Nova York, na sede da Deloitte, dentro da programação da missão internacional liderada pelo governo durante a Brazilian Week 2026.
O projeto será desenvolvido em parceria entre Invest RS, Deloitte, Secretaria da Fazenda (Sefaz), Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Badesul. A proposta é construir, ao longo dos próximos anos, uma arquitetura financeira capaz de mobilizar recursos públicos e privados para financiar setores estratégicos da economia gaúcha, com potencial de alcançar até R$ 20 bilhões no longo prazo, por meio de um modelo estruturado de fundo de fundos e mecanismos de blended finance (união de aportes públicos e privados).
Nesta etapa inicial, a meta em desenvolvimento prevê estruturação de até US$ 5 bilhões, sendo cerca de US$ 1 bilhão em aportes públicos e o restante de capital privado.
Transição
A iniciativa surge em meio à transição provocada pela reforma tributária, que reduzirá progressivamente a capacidade dos Estados de utilizarem incentivos fiscais como principal ferramenta de atração de investimentos. Na prática, a mudança representa o enfraquecimento gradual da chamada “guerra fiscal” – modelo em que os Estados competiam entre si oferecendo benefícios tributários para atrair empresas e novos empreendimentos.
Com esse cenário, os Estados precisarão encontrar novas formas de atração, já que deixarão de contar com os incentivos fiscais como principal ferramenta de competitividade. A estratégia apresentada pelo governo gaúcho aposta justamente na criação antecipada desses novos instrumentos, utilizando fundos de investimento e mecanismos financeiros para apoiar projetos estratégicos e estimular a participação do setor privado no desenvolvimento econômico. A avaliação do governo é de que o Rio Grande do Sul larga na frente ao começar desde já a estruturar o novo modelo.
Durante o evento, Invest RS e Deloitte assinaram contrato para realização dos estudos técnicos e projetos necessários à formatação do fundo estratégico. Também foram formalizadas assinaturas relacionadas aos fundos-piloto que integrarão a nova estratégia de desenvolvimento econômico do Estado. Entre elas, estão a manifestação de interesse para criação do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Deep Techs – envolvendo BRDE, Badesul e Caixa de Administração da Dívida Pública Estadual (Cadip) –, além de iniciativas da Sefaz voltadas ao mercado de capitais e à resiliência climática.
Estratégia ampla
“O debate de hoje mostrou algo muito claro: os instrumentos do passado já não respondem, sozinhos, aos desafios do futuro”, afirmou Leite durante sua fala no encerramento do fórum. “Nós estamos aqui de maneira ousada. O Rio Grande do Sul não pode ficar para trás nesse novo cenário criado pela reforma tributária”, disse.
O governador destacou que a iniciativa integra uma estratégia mais ampla de desenvolvimento econômico do Estado, baseada em capital humano, inovação, infraestrutura, energias renováveis e melhoria do ambiente de negócios.
“Não há uma bala de prata para determinar o desenvolvimento econômico. É a combinação de fatores que cria um ambiente atrativo para investimentos. E agora estamos acrescentando mais um instrumento importante, associado a todos esses outros componentes, para tornar o Rio Grande do Sul um local diferenciado para investimentos privados”, explicou o governador.
Leite também ressaltou que o fundo estratégico será conectado ao Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável do Estado e terá critérios técnicos de governança para direcionamento dos investimentos. “O fundo vai vir profundamente atrelado ao plano de desenvolvimento para financiar empreendimentos relacionados às nossas prioridades estratégicas e realmente alavancar o nosso processo de desenvolvimento”, afirmou.
Segundo o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, o projeto representa uma mudança estrutural na forma como o Estado pretende estimular investimentos e desenvolvimento econômico nos próximos anos. “Alinhado às melhores práticas, no médio e no longo prazo, é uma visão estratégica que estamos apresentando para o desenvolvimento do io Grande do Sul”, garantiu.
Mudança global
O fórum reuniu empresários, investidores e representantes do setor financeiro brasileiro e norte-americano para discutir modelos internacionais de financiamento ao desenvolvimento econômico regional. Durante os debates, foi destacada a transição global de modelos baseados exclusivamente em incentivos fiscais para estruturas sustentadas por fundos públicos de investimento, instrumentos financeiros e mecanismos de compartilhamento de risco.
“Estamos diante de uma nova realidade, na qual o investimento público assume uma postura mais ativa, impulsionando o desenvolvimento econômico por meio de fundos públicos e estratégias de blended finance, com o objetivo de atrair recursos privados e ampliar a competitividade das regiões”, analisou o sócio de Soluções de Estratégia para Governos e Serviços Públicos e de Infraestrutura da Deloitte Brasil, Luiz Paulo de Assis.
Na mesma linha, o sócio-líder de Governos e Serviços Públicos da Deloitte Brasil, Edson Cedraz, ressaltou que o novo cenário exige uma mudança de paradigma nas políticas estaduais de desenvolvimento. “Esse movimento acelera uma transição necessária do incentivo fiscal para a subvenção econômica e financeira, orientada pela alocação de capital, pela estratégia de investimentos e pela geração de valor”, disse.
Durante sua fala, Leite destacou que a capacidade do Estado de avançar nessa nova estratégia é resultado das reformas fiscais e estruturais realizadas nos últimos anos. “Parte substancial do funding que projetamos para esse projeto vem justamente das reservas construídas com as privatizações e reformas que o Estado fez. Não podíamos olhar apenas para as demandas do curto prazo. Precisávamos estruturar ferramentas que ajudassem a projetar um futuro diferente para o Rio Grande do Sul”, frisou.
Também participaram do evento o secretário-geral de governo, Artur Lemos, o procurador-geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Leandro Evaldt, o secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, a secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia, Lisiane Lemos, o secretário-adjunto da Fazenda, Itanielson Cruz, e o chefe de gabinete do governador, Euclides Neto.
Fundos estruturam nova arquitetura financeira para desenvolvimento
Como parte da estratégia apresentada em Nova York, o governo gaúcho detalhou quatro instrumentos financeiros que servirão de base para a nova arquitetura de desenvolvimento econômico do Estado. Entre eles está o Fundo Gaúcho de Risco Climático, com aporte inicial de R$ 100 milhões, voltado à redução de riscos do mercado segurador diante de eventos extremos.
A iniciativa busca garantir maior previsibilidade fiscal e rapidez na liberação de recursos para reconstrução após crises climáticas, reduzindo a pressão direta sobre o orçamento público em momentos de emergência.
Também foi apresentado o Programa Avançar Mais Cidades, destinado ao financiamento de infraestrutura municipal. O investimento inicial é de R$ 300 milhões para operações de crédito voltadas às prefeituras gaúchas.
Outro instrumento é o Avançar Mercado de Capitais RS, iniciativa voltada à ampliação do acesso de empresas gaúchas ao mercado de capitais por meio do Programa Fácil, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A proposta prevê até R$ 300 milhões em investimentos por meio de fundos administrados pela Banrisul DTVM.
Já o FIP Deep Techs será voltado ao financiamento de startups de base científica e tecnológica em áreas como biotecnologia, semicondutores, inteligência artificial, agro e energia. O fundo terá participação inicial de Badesul, BRDE e Cadip, com previsão de aportes entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões e possibilidade de atração futura de investidores institucionais privados.
Texto: Carlos Ismael Moreira/Secom e Alexandre Elmi/Ascom Invest RS
Edição: Secom