Efeitos da estiagem confirmam retração no PIB gaúcho do 1º semestre
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Os efeitos da estiagem, que causaram queda de 37,9% no setor agropecuário gaúcho, provocaram um recuo de 4,1% no PIB do Rio Grande do Sul no primeiro semestre de 2012. Os dados, acumulados do primeiro e segundo trimestre do ano, foram divulgados na manhã desta segunda-feira (17) pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). Apesar da confirmação dos números negativos, os economistas da FEE são unânimes em afirmar que o pior momento da economia do Estado já passou e que a recuperação está em curso.
As perdas da agropecuária estão concentradas no primeiro semestre; a partir do próximo trimestre não serão tão impactantes, avaliou o economista Martinho Lazzari, que apresentou os números. As quatro culturas que representam 85% do setor (soja, arroz, milho e fumo) já foram colhidas, e a quebra de -48,4% da soja foi a de maior impacto. A boa notícia, segundo Lazzari, é que o setor da indústria caiu menos do que o índice brasileiro (-1,4%), enquanto os serviços cresceram (+3,3%), o que demonstra não haver efeito direto do resultado da estiagem nos demais setores.
O crescimento dos serviços e a queda não tão significativa na indústria, puxada pela alta nas vendas de máquinas e equipamentos (22,5%) são explicados pela manutenção da renda no setor primário. Apesar da quebra na safra, os agricultores e agropecuaristas estão otimistas, porque ainda estão capitalizados e investindo, afirmou o economista Sergio Fischer. A alta nos preços agrícolas é outro fator que compensou o efeito da estiagem e mantém o otimismo.
A perspectiva para o segundo semestre, de acordo com o presidente da FEE, Adalmir Marquetti, é de que os números sejam melhores do que os atuais. Vários fatores indicam esse cenário: os piores efeitos da seca já passaram, as políticas anticíclicas do Governo Federal começarão a dar resultado, e a série de investimentos estaduais e federais começará a expandir-se, explica Marquetti.
Acumulado do ano é positivo
Mesmo com a queda no primeiro semestre, a supersafra de 2011, que elevou o PIB do Rio Grande do Sul a 5,7% (superior ao brasileiro), mantém positivo o acumulado de 12 meses. Nesse período, o PIB gaúcho cresceu 0,3%. Considerando a comparação com um número tão robusto obtido no ano passado, o economista Juarez Meneghetti avalia que os resultados ainda são bons para o Estado: chegar ao final do ano com uma taxa próxima a zero, ou em torno disso, é muito positivo em relação à base de comparação que temos e a toda a conjuntura nacional e internacional, conclui Meneghetti.
Texto: Carine Prevedello
Edição: Redação Secom (51) 3210.4305