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Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil destaca integração entre ciência e governo no monitoramento de tempestades

Pesquisadores de universidades de Oklahoma (EUA), Santa Maria e Pelotas se reuniram para discutir eventos extremos

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Foto de William Roloff   DCRS
Integração institucional e investimento em tecnologia são apontados como prioridades - Foto: William Roloff/Ascom Defesa Civil

A tarde do segundo dia do Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil (CIPDC) começou com um debate a respeito da importância da integração de universidades com os governos no progresso da ciência, particularmente a respeito do tempo. O painel “Monitoramento e previsão para tempestades severas” trouxe como palestrantes dois pesquisadores da Universidade de Oklahoma (EUA), Vitor Goede e Otávio Costa Acevedo; do professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Vagner Anabor; e do meteorologista da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel)Eliton Lima de Figueiredo. A mediação ficou por conta da meteorologista da Climatempo e do Centro de Monitoramento da Defesa Civil, Cátia Valente.

O evento é promovido pelo governo do Estado em parceria com o Iclei - Governos Locais pela Sustentabilidade e inserido no Programa de Preparação para Eventos Extremos (Prepara RS – El Niño)

“Nos últimos anos o mundo, o Brasil e o Rio Grande do Sul têm sentido grandes impactos de tempestades severas, cada vez mais frequentes e cada vez mais intensos, o que torna ainda mais importante a integração entre a ciência, o monitoramento e a tomada de decisão, que é a ideia deste painel”, afirmou Cátia na abertura.

Vitor Goede, primeiro painelista a falar, é meteorologista brasileiro e atua como pesquisador na Universidade de Oklahoma. Para trazer clareza, Goede iniciou sua fala trazendo a definição de tempo severo, que engloba granizo grande (maior que 2 centímetros), rajadas de vento com velocidade superior a 80 km/h e ocorrência de tornados. A partir de imagens de radar e satélites, explicou outros conceitos relacionados ao tempo severo, como supercélulas e linhas de instabilidade. O meteorologista mostrou como se forma o corredor de tempestades severas da América do Sul, fazendo comparações com o corredor dos Estados Unidos, e apresentou dados históricos de tornados no sul da América do Sul.

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Especialista Vitor Goede detalha dinâmica do tempo severo e comenta sobre a compreensão dos riscos - Foto: Anselmo Cunha/Ascom Defesa Civil

“Nos Estados Unidos, a previsão de tempo severo é centralizada em um único órgão, que realiza previsões com determinada antecedência em relação ao  fenômeno, mas quem emite o alerta são 123 escritórios regionais, e cada um é responsável por uma determinada área para expedir alertas. Esses escritórios ficam em constante comunicação uns com os outros, pois uma tempestade pode sair da área de um e ir para outra área”, relatou Goede a respeito do funcionamento de sistemas de previsão e alerta. O palestrante também destacou a transparência e a divulgação de dados da organização que realiza as previsões, de modo a potencializar o alcance das informações, bem como o desenvolvimento científico.

Convivência com riscos exige preparo da população 

Também trazendo sua experiência na Universidade de Oklahoma, o meteorologista Otávio Costa Acevedo foi o segundo a realizar sua apresentação. Diferentemente dos outros colegas da mesa, Acevedo não é um pesquisador de tempo severo, mas trouxe seu conhecimento como um meteorologista brasileiro que mora em Oklahoma, Estado com grande ocorrência de tornados. 

Ao fazer a pergunta de como é possível uma população se relacionar com eventos de tempo severo, ele afirma que a situação está presente constantemente na vida das pessoas, fazendo também parte da cultura e sendo incorporada a diversos produtos da região, como filmes, nomes de equipes esportivas e restaurantes, lojas temáticas e festivais. “Isso se estabelece por meio da exposição recorrente, mas vai muito além. Existe uma cultura de risco, um condicionamento social, as pessoas sabem como se comportar, não somente de forma passiva, mas também como direcionar suas ações nos momentos de risco. Existe uma forte presença institucional da meteorologia, o que acredito que também exerça grande influência local”, destaca.

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Experiência de Oklahoma demonstra como a preparação da população fortalece a resposta a eventos meteorológicos severos - Foto: Anselmo Cunha/Ascom Defesa Civil

O meteorologista contou ainda como o desastre do tornado que ocorreu em 1999, em Oklahoma, que causou 36 mortes, provocou mudanças nos sistemas relacionados, sendo um dos motivadores para a criação do National Weather Center, centro especializado em meteorologia, onde os dois pesquisadores do painel trabalham. “Gosto de destacar, e é uma das coisas que veio após o tornado de 1999, a importância de os órgãos atuarem de forma próxima e conjunta”, relata.

Acevedo finalizou sua fala fazendo comparações entre Oklahoma e o Rio Grande do Sul. “São dois lugares marcados por eventos de tempo severo, pela presença de escolas de meteorologia, pela existência de redes de observadores, e, em breve, com a presença de redes de radares meteorológicos também. E é possível construir aqui também uma comunicação forte com a comunidade, valorizando também o papel da meteorologia”, pontua, mencionando a aquisição de radares meteorológicos pela Defesa Civil do Estado. Unindo o radar já instalado em 2024 em Porto Alegre aos três novos equipamentos, que devem ser instalados ao longo deste ano e do próximo, o Estado terá uma rede com cobertura de todo o RS.

Preparação para tempo severo

Professor da UFSM e membro do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do governo do Estado, o meteorologista Vagner Anabor trouxe para o debate as características do tempo severo no sul da América do Sul, explicando também a função de uma tempestade, que age como transportadora de calor, um mecanismo de equilíbrio local da atmosfera – sendo assim, com o aquecimento do planeta, podem ocorrer mais tempestades.

Meteorologista ressaltou que investimentos em radares e estações hidrometeorológicas contribuem para tornar o RS mais preparado
Meteorologista ressaltou que investimentos em radares e estações hidrometeorológicas contribuem para tornar o RS mais preparado - Foto: Anselmo Cunha/Ascom Defesa Civil

Anabor apresentou uma sucinta análise dos fenômenos meteorológicos de abril e maio de 2024, que resultaram nas inundações. “Nós precisamos estar preparados para fenômenos de tempo severo, com chuvas intensas, uma vez que, durante o El Niño, esses eventos aumentam ligeiramente. Estamos buscando a construção da resiliência no Rio Grande do Sul, com o apoio das universidades e os investimentos do Estado, estaremos mais preparados para o que vier”, disse.

O professor também comentou que em períodos neutros, sem a influência do El Niño e da La Niña, ocorrem grandes tempestades que resultam em perdas. “Com a cooperação entre o Estado e as universidades, com as novas aquisições e contratações do governo – estações hidrometeorológicas e radares –, o Rio Grande do Sul caminha para se tornar um modelo”, finaliza.

Integração entre sistemas

Chefe do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da Ufpel, o meteorologista Eliton Lima de Figueiredo iniciou sua fala apresentando o trabalho do Centro, onde são realizadas pesquisas e previsões do tempo para todo o Rio Grande do Sul. O meteorologista explicou de que forma diferentes instrumentos, quando utilizados de maneira integrada, podem ser empregados para fazer um melhor monitoramento de tempestades severas, bem como para sua previsão e detecção.

Integração de diferentes tecnologias fortalece o monitoramento, a previsão e a detecção de tempestades severas
Integração de diferentes tecnologias fortalece o monitoramento, a previsão e a detecção de tempestades severas - Foto: Anselmo Cunha

Para além do tornado, Eliton também trouxe definições a respeito de outros sistemas que atuam no Estado e podem causar grandes danos. O bow echo é um retorno de radar de uma instabilidade em forma de arco, que pode trazer fortes vendavais, já derecho é a denominação para um tipo de vendaval extenso, causado por conta de uma tempestade – documentado no Rio Grande do Sul em 2013 e 2014.

Finalizando o painel, Cátia Valente reforçou a importância da união entre diferentes agentes, universidades, empresas e governos. “Avançamos muito em ciência, em previsão, e o grande desafio continua sendo a integração; é isso que faz a diferença entre um evento extremo e uma catástrofe”, pontuou.

Sobre o CIPDC

Nos dias 23, 24 e 25 de junho, Porto Alegre recebe o CIPDC. A programação reúne atores nacionais e internacionais para abordar os principais desafios e soluções para a proteção e defesa civil. O encontro tem como propósito promover a troca de experiências e a construção conjunta de soluções para preparar os territórios diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos meteorológicos extremos, reforçando a importância da integração entre diferentes setores da sociedade.

Texto: Ascom Defesa Civil
Edição: Secom

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