Arquivo Histórico do Estado recebe acervo sobre imigrações
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Cerca de seis mil livros sobre as etnias polonesa, italiana e alemã, relacionados com a História do Rio Grande do Sul pertencentes ao acervo particular do diretor da editora da Escola Superior de Teologia, o frei capuchinho Rovílio Costa, serão doados à Secretaria de Estado da Cultura. A cerimônia de entrega será hoje, sexta-feira (07), às 16h30, no Arquivo Histórico (AHRS), no prédio do Memorial do RS, na Praça da Alfândega s/nº, em Porto Alegre, com a presença do governador do Estado, Olívio Dutra, do secretário de Estado da Cultura, Luiz Marques, e da diretora do Arquivo Histórico do Estado, local de armazenamento do material, Suzana Brochado. Para o secretário de Estado da Cultura, o ato de doação do frei Rovílio vem enriquecer o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul e ajudar no trabalho dos pesquisadores que estudam as raízes étnicas do Estado. Deve também ser interpretado como um gesto de profunda generosidade e grande espírito público por parte deste que é o maior dos nossos pesquisadores na área. A doação contempla muitas obras sobre tudo que se refere a imigrantes, como o ingresso, no solo gaúcho, de pessoas vindas a todas as colônias: Caxias do Sul, Cotiporã, Quarta Colônia, como Silveira Martins e arredores, Alfredo Chaves, hoje Veranópolis, Guaporé e Encantado. Muitos livros destacam a presença italiana no Brasil que, há 28 anos, encontra um estudioso no frei capuchinho. Há, por exemplo, uma coleção publicada na Itália sobre a imigração italiana no Espírito Santo, uma experiência que trouxe 23 mil pessoas ao solo capixaba. Ao enfrentar problemas com as plantações de café, muitos desistiram de viver no Espírito Santo, vindo para o Rio Grande do Sul. Não se sabe quantos chegaram ao solo gaúcho. Outra obra destacada por Rovílio, que passa a fazer parte do acervo do Arquivo Histórico, é Imigrato Italiano, uma revista que expõe a imigração italiana no mundo todo, especialmente na querência rio-grandense, publicada pelo Centro Imigrazione de Roma. Autores desconhecidos, que se ativeram aos estudos da imigração italiana, também estão com livros doados por esse conhecedor da vinda de europeus ao Brasil desde 1974. Não fosse por essa entrega das publicações ao Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, muitos pesquisadores, estudantes e professores jamais teriam acesso ao material. Defensor da idéia de que o pesquisador deve procurar dados nas fontes originais de pesquisa, sem ficar atrelado somente ao mundo acadêmico, Rovílio Costa tem procurado entrevistar descendentes de imigrantes onde se encontrem, recolhendo impressões e informações sobre seus antepassados. Não se limita, portanto, às fontes tradicionais de pesquisa, consagradas pela maior parte dos pesquisadores. Se não for assim, sente que, muitas vezes, os dados chegam ao público fora do seu contexto histórico. Para ser um pesquisador cada vez mais fiel à História e à cultura dos imigrantes, Rovílio tem percorrido a Itália, a França, a Alemanha e a Espanha à procura de conhecimentos sobre as imigrações, consciente de que um milhão e 500 mil italianos que, em 1875, vieram para o Brasil, dos quais 80 mil para o Rio Grande do Sul e um milhão e 200 mil para São Paulo, merecem ser estudados com o zelo que a História exige, como legado cultural às novas e futuras gerações. E para que os jovens não percam a identidade cultural de seus antepassados, com dedicação religiosa, tem se dedicado, nos últimos anos, à preservação dos dialetos com a edição de cartilhas, gramáticas e dicionários. Levar o ensino dos dialetos às populações descendentes de imigrantes é uma forma, para o capuchinho, das novas gerações não perderem o contato com a cultura que lhes deu origem.