Governo do Estado alerta para riscos associados às chuvas intensas nos próximos dias
Previsão indica tempestades severas, rajadas de vento, granizo e elevação dos níveis dos rios até início de agosto
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O governo do Estado atualizou, na tarde desta segunda-feira (27/7), o prognóstico hidrometeorológico para os próximos dias. O Centro de Monitoramento da Defesa Civil (CMDEC) acompanha dois períodos de instabilidade com previsão de chuva no Rio Grande do Sul: o primeiro acontece entre esta segunda (27/7) e quarta-feira (29/7), com possibilidade de tempestades severas e volumes elevados de precipitação; o segundo está previsto para o intervalo entre sexta (31/7) e segunda-feira (3/8).
Para o primeiro período, está em vigor o Aviso Hidrometeorológico 11, emitido no sábado (25/7). Os principais riscos são chuva intensa, rajadas de vento que podem superar 90 km/h e queda de granizo, que pode ser de grande porte. Na terça-feira (28/7), os acumulados podem chegar a 150 milímetros em 24 horas em algumas regiões.
Nesta segunda (27/7), há o risco de tempestades severas com queda de granizo (que pode ser grande) e rajadas de vento (que podem superar os 90 km/h) em uma faixa central do Estado, que vai da fronteira com a Argentina até o litoral, incluindo Região Metropolitana de Porto Alegre. As tempestades que afetaram o Oeste do RS durante a manhã avançaram para Centro, Campanha, Região Metropolitana de Porto Alegre e Litoral ao longo da tarde e devem seguir também à noite.
Na terça (28/7), uma frente estacionária estará sobre o Centro do Estado. A chuva permanece em áreas do RS, com potencial de tempestades severas. Além disso, os acumulados de chuva se tornam mais expressivos, podendo superar 150 mm ao longo da terça (28/7), sendo que parte desses acumulados pode acontecer em poucas horas.
Conforme os modelos meteorológicos apresentados, há dois cenários mais prováveis: um que indica acumulados mais expressivos entre Oeste e Centro, e outro que aponta acumulados mais expressivos na Campanha, no Sul e na Costa Doce. Com base nesses cenários, as duas regiões estão em Alerta no Aviso Hidrometeorológico 11, mas novas atualizações podem ser emitidas conforme a evolução do cenário. Na quarta-feira (29/7), a frente fria avança pelo Estado, com risco de tempestades severas apenas no Norte.
Já no segundo evento de chuvas intensas, entre 31 de julho e 3 de agosto, as regiões atingidas e os acumulados esperados ainda estão incertos, como apontado pelo CMDEC nesta tarde. As rodadas de modelos mais recentes, da manhã desta segunda (27/7), indicam precipitações mais elevadas no Oeste. Neste momento, os acumulados esperados não são tão expressivos quanto no período até quarta (29/7), mas podem chegar a 150 mm em três dias em pontos isolados.
Previsão hidrológica
No cenário de precipitações para o período do aviso 11 – até quarta (29/7) –, há riscos de novas cheias em rios do Oeste, Centro e Sul – como os rios Quaraí, Ibirapuitã, Ibicuí, Santa Maria e Camaquã. A previsão é também de manutenção de níveis elevados dos rios da faixa central do Estado, com destaque para os rios Uruguai e Jacuí.
As chuvas devem gerar cheias em arroios e pequenos rios em boa parte do RS devido ao caráter intenso e volumoso. As regiões da metade Norte do Estado (Vales do Pardo, Taquari, Caí e região do Alto e Médio Uruguai) permanecem em atenção e alerta para essas chuvas, que podem gerar elevações em seus rios principais.
O segundo período de chuvas, além da vigência do aviso, deve aumentar os acumulados em todo o Estado. Porém, devido a divergências nos modelos meteorológicos quanto às áreas afetadas, neste momento se coloca em nível de alerta todas as bacias hidrográficas dada a condição hidrológica com rios em níveis altos.
Divergência entre modelos meteorológicos
Nesta segunda (27/7), os modelos meteorológicos ainda divergem quanto às áreas mais atingidas pela chuva, o que impacta as projeções hidrológicas. De acordo com o modelo americano (GFS), as chuvas devem se concentrar na região Centro-Sul, resultando em níveis de alerta para inundações nas bacias dos rios Camaquã, Santa Maria e Vacacaí. Esse cenário também prevê a manutenção das cotas elevadas em locais já críticos, como no Rio Jacuí e na Região Metropolitana, além da persistência das inundações na Fronteira Oeste, onde o Rio Uruguai já ultrapassa a cota de transbordamento no trecho entre São Borja e Uruguaiana.
Por outro lado, o modelo europeu (ECMWF) apresenta uma projeção mais severa, indicando que as precipitações incidirão sobre as áreas que já foram afetadas na última semana. Isso colocaria em risco de inundações as bacias dos rios Caí, Sinos, Jacuí e Gravataí.
Apesar da divergência nas previsões, duas regiões são destacadas em ambos os cenários: Oeste, que já se encontra em situação de inundação e deve sofrer um repique nos níveis com a chegada das novas chuvas; e Central, que continuará com os rios em cotas elevadas, prolongando o risco de inundações.
Reforça-se que essa é a previsão hidrológica conforme o prognóstico meteorológico de momento. De acordo com o andamento do evento, poderão ocorrer novas atualizações.
Orientação à população
Diante da possibilidade de novos eventos de chuva e da permanência de rios em níveis elevados, a Defesa Civil mantém o monitoramento hidrometeorológico e a articulação com os municípios para acompanhamento das áreas de risco e adoção de medidas preventivas.
O sistema estadual conta com monitoramento em tempo real, modelagem hidrológica e hidrodinâmica e mecanismos de alerta meteorológico, hidrológico e geológico. As ações incluem o envio de avisos diretamente para celulares por meio do cell broadcast.
A orientação é para que a população acompanhe os avisos e alertas oficiais e esteja atenta a mudanças nas condições locais, especialmente em áreas sujeitas a alagamentos, enxurradas, inundações ou movimentos de massa. Os municípios também dispõem de planos de contingência analisados pela Defesa Civil estadual, que estabelecem procedimentos para atuação diante de situações de risco.
Como as previsões e modelagens não eliminam as incertezas e podem sofrer alterações conforme a evolução dos sistemas meteorológicos, novas atualizações poderão ser divulgadas ao longo dos próximos dias.
Como parte da mobilização preventiva, estão sendo estruturados três Gabinetes de Crise da Defesa Civil, em Santa Maria, Lajeado e São Sebastião do Caí. O objetivo é apoiar o acompanhamento regional do cenário e a articulação das ações de resposta.
É possível acompanhar no Portal Prepara RS todos os alertas e avisos vigentes da Defesa Civil, além das publicações relacionadas a eventos adversos. Por meio da página, também é possível acessar, em tempo real, o nível dos rios, dados do radar meteorológico e da rede de monitoramento hidrometeorológico, além de serviços de utilidade pública.
Texto: Ascom Defesa Civil
Edição: Secom