Após enchente, população deve redobrar cuidados para evitar doenças e acidentes
Limpeza, alimentos, leptospirose, tétano e animais peçonhentos exigem atenção
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O período de chuva intensa e o risco de inundação no Rio Grande do Sul são alertas para os perigos que permanecem após eventuais alagamentos. Lama, água contaminada, alimentos comprometidos e a presença de animais peçonhentos podem provocar doenças e acidentes graves se os cuidados necessários não forem adotados.
A recomendação é que a população tome precauções durante a limpeza dos imóveis e fique atenta aos sinais de doenças associadas às enchentes, buscando atendimento médico sempre que necessário. As principais orientações sobre como agir em diversas situações estão em um guia disponibilizado pela Secretaria da Saúde (SES).
Limpeza da casa exige proteção e desinfecção adequada
Antes de entrar em uma residência atingida pela enchente, é importante verificar se o imóvel apresenta rachaduras, risco de desabamento, problemas elétricos ou vazamento de gás. Em caso de dúvida, a orientação é procurar apoio da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros ou de profissionais especializados.
Durante a limpeza, moradores devem utilizar botas e luvas de borracha para evitar o contato direto com a lama e com objetos cortantes escondidos pelos resíduos. A lama, os entulhos e o lixo devem ser removidos e destinados à coleta pública quando disponível.
Após a remoção da sujeira, pisos, paredes, móveis e utensílios precisam ser lavados com água e sabão. Para a desinfecção, recomenda-se o uso de solução de água sanitária na proporção indicada pelas autoridades sanitárias. Também é importante lavar cuidadosamente as mãos e as partes do corpo que tiveram contato com água ou lama de enchente.
Alimentos atingidos pela água devem ser descartados
Um dos alertas importantes diz respeito à alimentação. Todos os alimentos que tiveram contato com a água da enchente devem ser descartados, mesmo que estejam embalados e dentro do prazo de validade. Isso inclui frutas, verduras, ovos, grãos, bebidas e outros produtos, pois podem ter sido contaminados por urina de ratos, esgoto ou outros agentes prejudiciais à saúde.
Também devem ser descartados alimentos que apresentem alteração de cheiro, cor ou consistência, ou que permaneceram por mais de duas horas sem refrigeração adequada devido à falta de energia elétrica.
Além disso, a água que entrou em contato com a enchente não deve ser utilizada para beber, preparar alimentos, escovar os dentes, produzir gelo ou lavar utensílios. Quando houver dúvidas sobre a qualidade da água, ela deve ser filtrada e posteriormente fervida ou tratada com solução adequada de hipoclorito de sódio.
Risco de leptospirose
Entre as doenças relacionadas às enchentes, a leptospirose é uma das mais frequentes e perigosas. A doença é causada por uma bactéria presente na urina de ratos e outros mamíferos infectados, que pode penetrar no organismo por cortes na pele, mucosas ou após contato prolongado com água contaminada.
Os sintomas geralmente surgem entre cinco e 30 dias após a exposição e incluem febre, dor de cabeça, dores musculares (especialmente nas panturrilhas), perda de apetite, náuseas e vômitos.
Quem teve contato com água ou lama de enchente e apresentar esses sintomas deve procurar imediatamente uma unidade de saúde e informar a exposição ao risco. O tratamento está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Hepatite A e tétano também exigem atenção
As enchentes também aumentam o risco de hepatite A, doença transmitida principalmente pela ingestão de água e alimentos contaminados por fezes humanas. Os sintomas podem incluir febre, mal-estar, náuseas, vômitos, urina escura, fezes claras e amarelamento da pele e dos olhos. Em caso de suspeita, a recomendação é procurar assistência médica e informar o histórico de contato com áreas inundadas.
Outra preocupação é o tétano acidental, que pode ocorrer quando ferimentos entram em contato com terra, lama e materiais contaminados. Por isso, é fundamental que as pessoas evitem andar com os pés descalços, utilizem equipamentos de proteção durante a limpeza e mantenham a vacinação em dia. Qualquer ferimento deve ser lavado com água e sabão, seguido de avaliação por um serviço de saúde quando houver risco de contaminação.
Cuidado com cobras, aranhas e escorpiões
A movimentação das águas costuma deslocar animais peçonhentos, como serpentes, aranhas, escorpiões e lacraias, que podem se esconder em entulhos, móveis, telhas e materiais acumulados. Durante a limpeza, a orientação é usar luvas e botas de borracha e nunca manipular esses animais, mesmo quando aparentarem estar mortos.
Em caso de picada, a vítima deve lavar o local com água e sabão, manter-se em repouso e buscar atendimento médico imediatamente. Especialistas alertam para que não sejam feitos torniquetes, cortes ou tentativas de sugar o veneno. O tratamento, incluindo o uso de soro antiveneno quando necessário, é oferecido gratuitamente pelo SUS.
Em casos de acidentes com animais peçonhentos, entre em contato com o Centro de Informação Toxicológica (CIT) pelo telefone 0800-721-3000. A ligação é gratuita e o serviço de plantão de urgência funciona 24 horas por dia, sete dias por semana.
Quando procurar ajuda
Qualquer pessoa que apresente febre, diarreia, vômitos, dores musculares, sintomas respiratórios ou outros sinais de adoecimento após contato com áreas alagadas deve procurar uma unidade de saúde. A identificação precoce dos casos é fundamental para o tratamento adequado e para reduzir complicações relacionadas às enchentes.
Orientações aos serviços de saúde
Além dos cuidados voltados à população, há também orientações aos profissionais e aos serviços de saúde que atuam em áreas afetadas pelas enchentes. A Nota Informativa de Doenças e Agravos no Contexto da Calamidade Pública causada pelas Enchentes e Inundações reúne diretrizes sobre vigilância epidemiológica, definição de casos suspeitos, diagnóstico, manejo clínico, tratamento e notificação de agravos prioritários (como leptospirose, hepatite A, tétano acidental, doenças diarreicas agudas, acidentes com animais peçonhentos e atendimento antirrábico humano).
Como medida para fortalecer a detecção precoce de casos e agilizar a resposta das equipes de vigilância, está disponível um formulário de Comunicação de Agravos Prioritários durante Situação de Calamidade. A ferramenta funciona como um canal de comunicação rápida entre os serviços de saúde e a Vigilância Epidemiológica estadual.
O preenchimento do formulário complementa as ações de vigilância epidemiológica, mas não substitui a notificação compulsória nos sistemas oficiais, que deve continuar sendo realizada conforme as normas vigentes.
Texto: Ascom SES
Edição: Secom