Na semana do Dia Nacional da Indústria, Estado destaca protagonismo do setor no desenvolvimento econômico gaúcho
Indústria responde por 26,5% do PIB estadual, amplia exportações e gera mais de 864 mil empregos formais
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Responsável por mais de um quarto da economia do Rio Grande do Sul, a indústria gaúcha chega ao Dia Nacional da Indústria, celebrado em 25 de maio, consolidando sua posição como um dos principais motores do desenvolvimento econômico do Estado. Com forte presença nas exportações, elevada capacidade de geração de empregos e papel decisivo na inovação e na competitividade, o setor mantém influência estratégica em diferentes regiões e cadeias produtivas gaúchas.
Para marcar a data, o governo do Estado fará uma série de matérias que será publicada ao longo da semana, deste domingo (24/5) até sexta-feira (29/5), destacando o desempenho da indústria, os desafios do setor e as políticas públicas voltadas ao fortalecimento da competitividade, da atração de investimentos e da transformação produtiva do Rio Grande do Sul.
A abertura da série apresenta um panorama da força da indústria gaúcha na economia estadual, ressaltando principais segmentos, atividades, serviços e produtos. Atualmente, o setor representa 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado – índice superior à média nacional, de 24,5% – o que evidencia seu peso na geração de riqueza, renda e oportunidades.
Segmentos
Um levantamento da Divisão de Inteligência de Mercado do Departamento de Promoção Comercial e Assuntos Internacionais, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), aponta cinco segmentos tradicionais e estratégicos da indústria gaúcha. O estudo cruza e compila dados do Departamento de Economia e Estatística, da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O setor de alimentos lidera a composição, com participação de 14,9%, evidenciando a importância da agroindústria e da transformação de produtos de origem agropecuária na estrutura produtiva estadual.
Na sequência, o setor de construção responde por 13,2% do PIB industrial do RS, indicando a expressiva contribuição das atividades relacionadas à infraestrutura e à edificação para a economia industrial do Estado. O segmento de máquinas e equipamentos, com participação de 12%, reflete a relevância da indústria metalmecânica e da produção de bens de capital.
O setor de serviços industriais de utilidade pública – que inclui atividades como fornecimento de energia elétrica, gás e água – aparece em quarto lugar e representa 8,3% do PIB industrial gaúcho. O número demonstra o papel estratégico da infraestrutura energética e de serviços essenciais no suporte à atividade produtiva.
Por fim, o estudo destaca o setor de químicos, que contribui com 6%. O dado evidencia a importância da presença de atividades industriais voltadas à produção de insumos químicos e derivados que também vão ser utilizados em outros segmentos industriais.
Juntos, esses segmentos representam 54,4%, mais da metade da estrutura industrial gaúcha. Eles demonstram a diversidade econômica do RS, que combina vocação agroindustrial, capacidade metalmecânica, infraestrutura produtiva e setores ligados à inovação e à transformação tecnológica.
Em 2025, a indústria estadual registrou aumento na indústria de transformação (3,1%), no extrativismo mineral (1,4%) e na construção (0,3%). A exceção foi a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, que apresentou queda de 7,1%. Esse desempenho foi influenciado, principalmente, pela redução da geração de energia hidrelétrica, em razão da diminuição dos níveis dos reservatórios durante a estiagem no primeiro semestre.
O crescimento da indústria de transformação foi impulsionado por nove das 14 atividades, com destaque para as produções de máquinas e equipamentos (10,6%), produtos alimentícios (7,2%), produtos do fumo (13,9%) e produtos de metal (5,9%) – nesse último caso, com exceção de máquinas e equipamentos.
O arranjo busca promover uma transição da economia estadual para níveis mais elevados de produtividade, diversificação e valor agregado, assegurando, ao mesmo tempo, a continuidade da geração de emprego e renda nas atividades já consolidadas.
Um salto na transformação
Na indústria da transformação, o Valor Adicionado Bruto (VAB), índice que mede a riqueza gerada por um setor, atingiu R$ 150,9 bilhões em 2023 – crescimento de 117% em uma década. Os dados se baseiam nos Boletins Setoriais publicados em janeiro de 2026 pelo Observatório da Indústria do Rio Grande do Sul, da Fiergs.
O VAB corresponde à renda gerada, incluindo: salários pagos, lucros das empresas e impostos sobre produção, ou seja, tudo que vira renda dentro da economia.
Esse desempenho reflete um processo de recuperação e fortalecimento da atividade industrial, que voltou a crescer depois de um período de retração observado entre 2015 e 2018. O impacto da indústria na geração de riqueza no RS deu um salto entre 2020 e 2023, quando o VAB medido passou de R$ 95,2 bilhões para mais de R$ 150 bilhões.
O RS também aparece com participação acima da média nacional em diversos segmentos industriais, figurando de forma recorrente entre os maiores geradores de valor do Brasil, tanto em Valor da Transformação Industrial (VTI) quanto em produção e exportações.
O VTI é o indicador usado para analisar o desempenho da indústria e que mede, de forma direta, quanto valor o setor efetivamente agrega aos insumos no processo produtivo. Nesse caso, destacam-se no RS as indústrias de alimentos e de máquinas e equipamentos.
Ainda segundo dados do Observatório da Indústria, o setor de alimentos é o que apresenta maior VTI, com R$ 28,7 bilhões gerados – 19,2% da indústria de transformação do Estado. Em seguida está o setor de máquinas e equipamentos, com VTI de R$ 23,1 bilhões (15,4% da indústria de transformação do RS).
Entre os fatores que contribuíram para esse avanço, estão a retomada da economia pós-pandemia, o fortalecimento das exportações industriais, o aumento da demanda internacional por alimentos e máquinas agrícolas e a capacidade de adaptação da indústria gaúcha em setores estratégicos ligados ao agronegócio e à inovação.
“A indústria gaúcha demonstra capacidade de inovação, resiliência e competitividade. O Rio Grande do Sul possui uma base produtiva sólida, conectada às oportunidades globais e preparada para ampliar investimentos, gerar empregos e agregar valor à economia”, destaca o secretário de Desenvolvimento Econômico, Leandro Evaldt.
Mercado de trabalho e exportação
O impacto do setor também é percebido no mercado de trabalho. Em 2024, a indústria registrou mais de 864 mil empregos formais no Estado. Segmentos como alimentos; couro e calçados; e máquinas e equipamentos permanecem entre os maiores empregadores, consolidando a presença da atividade industrial tanto nos grandes centros quanto no interior.
Além da geração de empregos e renda, a indústria possui papel estratégico nas exportações do Estado. Em 2025, os produtos industrializados representaram quase 45% das exportações gaúchas, movimentando mais de US$ 16,5 bilhões. O desempenho reforça a competitividade internacional da indústria do RS e sua importância para a geração de divisas e ampliação de mercados.
Ao longo desta semana, as matérias irão abordar as políticas públicas, os programas de incentivo e as estratégias do governo do Estado que buscam atração de investimentos, inovação, internacionalização e fortalecimento da competitividade industrial gaúcha.
Texto: Luciene Leszczynski/Ascom Sedec
Edição: Secom