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Aldo Locatelli

Cada mural de Locatelli é uma aula de pintura. Observar aquelas pinceladas – ao mesmo tempo, vigorosas e delicadas, robustas e límpidas, espessas e transparentes – nos transmite sua profunda capacidade de manter vivas técnicas pictóricas de outras épocas, sua profunda capacidade de transcender o hoje, criando obras que foram, são e serão continuamente contemporâneas. Sem a menor dúvida, o artista e professor Locatelli, nos seus murais, está e estará sempre presente e disposto a ensinar a quem tiver olhos abertos para aprender.
(Fernando Baril, artista plástico)

Sem Locatelli, não teríamos uma história mural. A ele devemos o orgulho de ter, no Rio Grande do Sul, as pinceladas de um verdadeiro mestre italiano. Ele trouxe para nós técnicas e materiais que fazem parte da história da arte. Graças a Locatelli, temos, no nosso Estado, a presença do Renascimento italiano.
(Leila Sudbrack, restauradora pictórica, em O mago das cores.)

[ Leia Artigo de Leila Sudbrack sobre as restaurações ]

Cumpre reconhecer que o pintor, embora tenha seguido uma trilha à parte das correntes contemporâneas, soube assimilar muitas de suas importantes lições, criando um caminho figurativo original. Soube impor-se, assim, aos especialistas e ao grande público, até mesmo porque a sua habilidade, em termos de composições de conjuntos, de finura de desenho e de cromatismo, é notabilíssima. Aldo Locatelli pertence ao pequeno grupo dos que tocaram e encantaram o coração da gente da sua terra.
(Armindo Trevisan, crítico de arte, em O mago das cores.)

Ele tinha uma imaginação enorme e, mesmo em obras difíceis como a Via Sacra, dá para notar que ele usava a sua fantasia.
(Xico Stockinger, escultor, em O mago das cores.)

Para os alunos, era um líder, uma referência, apontava o futuro. Era um paradigma porque fez a sua escolha dentro de sua própria carreira e se envolvia muito com a idéia de popularizar a cultura.
(Círio Simon, professor do Instituto de Artes, ex-aluno de Locatelli, em O mago das cores.)

Trajetória

  • 1915: nasce em Villa d’Almè, subúrbio de Bérgamo, no norte da Itália.

  • 1925: acompanha os artistas que restauram os murais da Igreja de Villa d’Almè.

  • 1931: inicia o Curso de Decoração nos Cursos Livres de Instrução Técnica Andréa Fantoni na Escola de Arte Aplicada à Indústria de Bérgamo.

  • 1932: conclui o Curso, recebendo o primeiro lugar que lhe dá direito a uma bolsa de estudos na Escola de Belas Artes de Roma, dedicando-se a estudar os afrescos de Michelangelo na Capela Sistina.

  • 1935: trabalha no restauro da Via Crucis do Santuário da Estrada de Mulatiera, no norte da Itália.

  • 1940: é convocado pelo exército e vai para Ospedalete, cidade próxima a San Remo; pouco tempo depois, é deslocado para Roma onde, aguardando ser chamado para a guerra, aproveita o tempo para visitar museus e pinacotecas. Parte para o norte da África. É ferido em combate e retorna à Itália.

  • 1943: é contratado pelo ex-cura de Villa d’Almè, dom Camilo Salvi, para executar três afrescos para a Paróquia de Santa Croce, na província de Bérgamo. Esta obra o ocupará até 1945, onde teve o auxílio de Emílio Sessa, que, mais tarde, o acompanhará ao Brasil.

  • 1946: casa-se com Mercedes Bianchieri. Trabalha nos restauros do Santuário de Pompéia da Igreja do Convento das Irmãs de Maria S.S. Consolatrice de Milão, na Catedral de Gênova e em telas do Vaticano, onde a Comissão de Arte lhe confere o título de “Mago dei Colori”. Também nesse período, realiza obras sob encomenda para igrejas, santuários e conventos (a Igreja de Santa Croce, na província de Bérgamo, a cúpula do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios e as do Santuário della Guardia em Gênova, o Santuário de Nossa Senhora da Pompéia e o Colégio da Consolata em Milão).


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