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Palácio Piratini completa oitenta e cinco anos

Ilustração do Palácio Pirtatini - Artísta Marcos FallavenaA atual sede do governo do Rio Grande do Sul foi ocupada pela primeira vez em 17 de maio de 1921, quando o então presidente do Estado Antônio Augusto de Medeiros decidiu mudar-se para o novo prédio, construído no mesmo lugar onde antes estava o “Palácio de Barro”, que foi sede do governo por 107 anos. A idéia de uma nova construção surgiu no governo de Júlio de Castilhos, em 1894. Nesse mesmo ano teve início a demolição do “Palácio de Barro” e o governo transferiu-se para o “Forte Apache”, prédio onde hoje está o Memorial do Ministério Público, também na Praça da Matriz.

O arquiteto Affonso Hebert, da Secretaria de Obras Públicas, foi o primeiro a projetar o novo palácio, sendo logo iniciadas as obras. O projeto foi suspenso pelo novo presidente do Estado, Carlos Barbosa, com a justificativa de que ele não se adequava às exigências da época. Uma equipe de técnicos do Estado foi enviada a Paris, em 1908, para organizar um concurso internacional de projetos. O vencedor substituiria o de Hebert. Somente dois arquitetos inscreveram-se: A. Agustín Rey e A. Janin. Seus projetos foram premiados, mas, como o de Hebert, não foram aproveitados. Um ano depois, o arquiteto francês Maurice Gras vem ao Rio Grande do Sul e é apresentado ao presidente Carlos Barbosa, por representantes diplomáticos da França no Brasil.

Maurice se propõe a desenvolver uma nova proposta. Idéia aceita, em 20 de setembro de 1909 foi lançada a segunda pedra fundamental do palácio e as obras reiniciam. O prédio, de marcante influência neoclássica, foi inspirado no Petit Trainon, de Versailles, segundo alguns pesquisadores. Para marcar a entrada principal e embelezar o pátio interno, entre as alas governamental e residencial, Gras encomendou ao artista francês Paul Landowski, o mesmo artista que criou o Cristo Redentor do Corcovado, no Rio de Janeiro, três esculturas. As que representam a Agricultura e a Indústria estão na fachada principal. O grupo escultórico A Primavera, no jardim.

O Palácio Piratini nunca foi inaugurado oficialmente. Ao mudar-se para o novo prédio ainda em construção, Borges de Medeiros ocupou o gabinete a ele destinado por Gras, no primeiro pavimento. Com as mudanças posteriores, o que era para ser a sala do governador é hoje a Casa Militar.

Nesses 85 anos, muitas adaptações foram necessárias para acompanhar as mudanças resultantes das transformações históricas, e muitas áreas tiveram suas finalidades alteradas por se tornarem obsoletas, como, por exemplo, a Sala das Senhoras, atual Ante-Sala do Gabinete do Governador. As últimas construções significativas no Palácio Piratini ocorreram no início da década de 70, com o alargamento das escadas externas para os jardins e a construção do Galpão Crioulo.

Em 1955, por decreto do governador Ildo Meneghetti, o Palácio recebeu o nome de Piratini, em homenagem à cidade que foi a primeira capital farroupilha.


  • Preservação

  • Monumenta

  • Cenário

  • Principais serviços de restauração


    Preservação

    Nos últimos três anos, foram feitos grandes investimentos em manutenção, preservação e restauração do Palácio Piratini. De acordo com o governador Germano Rigotto, essa é uma das sedes de governo com mais tradição histórica. Sua preservação sempre foi uma das preocupações de seu governo: "Ao longo desses anos, procuramos recuperá-lo com recursos humanos do próprio Governo do Estado. Nosso pessoal se envolveu profundamente nesse trabalho, pois entendemos que é nossa a responsabilidade manter e preservar este patrimônio que tanta história contém e que tanto representa para o Rio Grande do Sul.” Patrimônio histórico do Estado desde 1986, o Palácio teve, a partir de 2003, intensificados os trabalhos de restauração e manutenção. Entre dezembro de 2003 e fevereiro de 2004, foi implementada a segunda fase do restauro das pinturas de Aldo Locatelli. Problemas de infiltração e umidade estavam danificando as obras de arte. O restauro foi realizado por Leila Sudbrack. A primeira fase em 1988 e a segunda, no governo Germano Rigotto. “Hoje os painéis de Locatelli podem ser observados na sua plenitude, graças ao exemplar cuidado com as obras de arte que o Palácio Piratini vem demonstrando”, afirmou Leila. A cargo da Assessoria de Arquitetura e da Equipe de Manutenção do Palácio, foram pintadas as paredes e os forros de praticamente todos os ambientes das alas governamental e residencial, restauradas mais de cem luminárias e recuperadas esquadrias de madeira da ala residencial. O tapete do Gabinete do Governador passou por um cuidadoso trabalho de restauro e limpeza. As cadeiras em estilo Luiz XV do Salão Negrinho do Pastoreio, da Ante-Sala e do Gabinete do Governador – muitas delas feitas pelos detentos da Casa de Correção, na década de 1920 – foram igualmente recuperadas. Em 2000, o Piratini foi tombado como patrimônio histórico nacional integrando os sítios históricos das praças da Matriz e da Alfândega.

    Monumenta

    Em 2003, o Governo do Estado assinou um convênio com o Ministério da Cultura, a prefeitura de Porto Alegre e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a inclusão de prédios históricos do Estado no Projeto Monumenta, entre eles o Palácio Piratini, a Biblioteca Pública, o Museu Júlio de Castilhos, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, o Theatro São Pedro e os Armazéns A e B do Cais do Porto. A contrapartida do Estado ao Projeto Monumenta é o restauro das fachadas do Palácio Piratini, sendo que a principal foi reparada entre 2001 e 2002.

    Cenário

    Ao longo dos últimos 85 anos, o Palácio Piratini serviu de cenário para importantes fatos que marcaram a história brasileira e gaúcha do século 20. Foi de seu gabinete no Piratini que Getúlio Vargas liderou a Aliança Liberal, partido que iria deflagrar sob seu comando a Revolução de 30. Dos porões do palácio, Leonel Brizola comandou, em 1961, 104 emissoras de rádio e o movimento da Legalidade, que garantiu a posse do vice-presidente João Goulart, depois da renúncia de Jânio Quadros. E foi também no Piratini, no Salão Negrinho do Pastoreio, que em junho de 2004, cerca de 6 mil gaúchos anônimos e lideranças políticas estaduais e nacionais se despediram de Brizola durante seu velório.

    Principais serviços de restauração realizados a partir de 2003:

    Janeiro 2003/Maio 2006: renovação das pinturas especiais do Salão Negrinho do Pastoreio, do Salão Alberto Pasqualini e do Gabinete do Governador, bem como execução das pinturas de praticamente todos os ambientes das alas Governamental e Residencial. Execução: Assessoria de Arquitetura/Equipe de Manutenção do Palácio Piratini.

    Fevereiro 2003/Dezembro de 2003:restauração do mobiliário existente no Gabinete do Governador, no Gabinete do Chefe da Casa Civil, Salão Negrinho do Pastoreio, na Ante-sala do Governador, perfazendo um total de 52 peças (cadeiras, poltronas e sofás). Execução: R.A. Arte e Antiguidade e Estofaria Martins.

    Fevereiro 2003/Janeiro 2004: restauro do tapete do Gabinete do Governador. A peça – trabalho manual em lã, realizado pela empresa Rheingantz & Cia nos anos 1930 – possui 41,59 m2 com 78.400 nós/m2, apresentando 96 motivos florais diferentes com 97 cores. Execução: restauradora Cristina Lunghi.

    Março 2003/Julho 2006: restauro das fachadas laterais e posterior do Palácio Piratini (trabalho ainda em execução com conclusão prevista para julho de 2006). Execução: EPT Engenharia e Pesquisas Tecnológicas.

    Março 2003/Maio de 2006: restauro de 70 lustres e apliques da Ala Governamental e de 37 na Ala Residencial, perfazendo um total de 107 peças recuperadas. Execução: Assessoria de Arquitetura/Equipe de Manutenção do Palácio Piratini.

    Outubro 2003/Maio 2006: restauro de esquadrias de madeira da Ala Residencial. Execução: R.A. Arte e Antiguidade e Assessoria de Arquitetura/Equipe de Manutenção do Palácio Piratini.

    Dezembro 2003: recuperação, limpeza e polimento dos degraus da escadaria do vestíbulo principal. Execução: Intervento – Conservação e Restauração de Objetos de Arte.

    Dezembro 2003/Fevereiro 2004: segunda fase da restauração dos 23 murais de Aldo Locatelli existentes no Salão Negrinho do Pastoreio, no Salão Alberto Pasqualini e na Ante-sala do Governador, com a fixação de descolamentos, recuperação de policromias e limpeza integral dos danos causados pela poluição e umidade. Execução: restauradora Leila Sudbrack.

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