Quintanares / Manuel Bandeira [ Menu ] Quintanares / Manuel Bandeira Com 60 poemas inéditos, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, é publicada sua Antologia Poética, em 1966, pela Editora do Autor - Rio de Janeiro. Lançada para comemorar seus 60 anos, em 25 de agosto o poeta é saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira, que recita o seguinte poema, de sua autoria, em homenagem a Quintana.
Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.
Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!
Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.
São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.
São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.
São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.
Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.
E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares
Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.
Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.
Que eu vou passando e passando,
Como em busca de outros ares...
Sempre de barco passando,
Cantando meus quintanares...
Mario Quintana |
No Quintana's bar / Carlos Drummond de Andrade [ Menu ] No Quintana's bar / Carlos Drummond de Andrade Num bar fechado há muitos, muitos anos, e cujas portas de aço bruscamente se descerram, encontro, quem eu nunca vira, o poeta Mário Quintana. Carlos Drummond de Andrade, "Quintana's Bar"
No Quintana's Bar,
sou assíduo cliente.
É um bar que não é bar,
é um bar diferente.
Nele bebo sequer
copo-d'água gelada.
Meu whisky é a noite escura,
meu gin, a madrugada.
No entanto me embriago
até as raias da loucura.
É então que me atraiçoa
a canhestra ternura
(o goche sentimento
que me expõe e envergonha,
tão inadequado
ao mundo e sua ronha).
A atração do bar
é o proprietário.
O seu rosto descerra
o auge do Calvário.
Prestidigitador
cria noite de prata,
oceano irreal
e barroca fragata...
Induz-nos à catarse
dos apetites tortos,
ao invocar a mística
de Mil Meninos Mortos.
Enquanto as horas fluem
na insólita vigília,
vai-se criando entre nós
certo ar de família
E em esferas rolando
pela noite e seus véus,
com fé aguardamos
a alvorada de Deus! |
Cordel para Mario Quintana / Gustavo Dourado [ Menu ] Cordel para Mario Quintana / Gustavo Dourado Mário Quintana passarinho
Traçou o próprio destino
Colibri... Uirapuru
Poeta foi desde menino
Soneto, prosa e hai.cai:
Um coração silibrino...
Poeta livre libertário
Não pertenceu a escola
Na Poesia grande craque
Não precisou de cartola
Um Poeta verdadeiro:
Não se prende em gaiola...
Nasceu lá em Alegrete
E foi alegre na vida
Voou na infinitude
No espaço...navenida...
Juventude em Porto Alegre
Lá se deu a sua lida...
A Rua dos Cataventos:
Caprichoso no soneto
Espelho Mágico criou
No reflexo do quarteto
Sua poesia tem a graça
Do improviso de Hermeto...
No chão:Sapato Florido
O Aprendiz de Feiticeiro...
Fez Inéditos e Dispersos
Ecoou bem altaneiro
Antologia Poética:
Poesias por inteiro...
Caderno H...Quintanares
Apont. Hist. Sobrenatural
A Vaca e o Hipogrifo
Um Poeta sem igual
Prosa & Verso antologia
Quintana é fenomenal...
Chew Me Up Slowly
Lá Na Volta da Esquina
Esconderijos do tempo
Poética bem cristalina
Nova Antologia Poética:
De arte diamantina...
Foi poeta prosador
Criativo jornalista
Contou sonhos e histórias
Atuou como cronista
Tinha a alma de menino
E coração de repentista...
Literatura Infantil
Pra lá de Pé de Pilão...
O Batalhão das Letras
Cartilha em ebulição
Criança que lê Quintana
Navega na Cosmovisão...
Feito estrela - libélula
O Poeta daqui voou
Revive na Poetisfera
Em anjo se transformou
Foi-se do mundo cruel:
Lá no céu se Quintanou...
Poeta bem-humorado
Fez a poesia canora
Soube como ninguém
Fazer sua própria hora
Conquistou o infinitom
Pro eternu foi-se embora...
Quintana nunca passou
E jamais passar-se-á
Poeta: Pásaro...Cigano
"Cante lá que eu canto cá"
Feito ave Patativa:
Loa à lua...soluará
Quintana pássaro menino
Borboleta em marrebol
Quintanares pela vida:
Gen molécula de escol...
Anjo q inspira Poesia:
Diamante como um Sol... |
Sobre o Mario [ Menu ] Sobre o Mario Sobre o Mario Quintana - Seleção de Armindo Trevisan
I.Carlos Heitor Cony: ""Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição de poema" - foi assim que ele definiu sua poesia e, em parte, se definiu.Culltivava, sem dúvida, uma nostalgia existencial que os críticos julgaram expressão de passadismo. A sutileza de seu humor chegava às vezes à total irreverência, a visão lírica da aventura humana, o menino atrás da vidraça, o homem que mora dentro dele mesmo: o poeta.(...) Foram os jovens que descobriram Quintana, já ancião mas ainda poeta".
II. José Paulo Paes: "Sem dúvida, foi o maior poeta do Rio Grande deste século".
III.Antônio Callado: "É um poeta de excepcional delicadeza. A sua poesia se destaca por ser simples, suave e profunda".
IV. Fausto Cunha: "Uma poesia ( a de Quintana) difícil, porque intensamente alusiva, e de um humor sutir, irredutível.Uma clareza ilusória, porque de um instrumento multívoco. Aí está o segredo dos grandes poetas..."
V. Armindo Trevisan: "MarioQuintana é o mais simples dos poetas brasileiros do século XX, e um dos mais difíceis. Dá a impressão de dizer as coisas mais comuns, as coisas que todo o mundo imagina que é capaz de dizer. Só que Quintana as diz como ninguém é capaz de dizê-las.Usa uma música verbal e um ritmo tão fino que não se percebe.A sua poesia é endovenosa.Quando o indivíduo nota, a poesia já entrou nele, penetrando-lhe o coração e a mente. É poeta tão simples que sua genialidade só é descoberta - como a luz das estrelas -muitos anos depois de ter brilhado!"
VI. Hélio Pólvora: "Ele consegue o milagre de prolongar a infância.(...) Uma nostalgia, uma faz-de-conta, um reino mágico".
No dia 30 de julho ( seus sessenta anos), Paulo Mendes Campos publica em sua coluna na revista Manchete uma carta a Mario Quintana: "...Alguns dos teus poemas e muitos dos teus versos não precisam estar impressos em tinta e papel: eu os carrego de cores, às vezes, brotam espontaneamente de mim como se fossem meus. De certo modo, são meus, e hás de convir que a glória maior do poeta é conceder essas parcerias anônimas pelo mundo...". |